Dicas de Fotografia

O guia definitivo da fotografia HDR

A fotografia HDR (High Dinamic Range) ainda é admirada por muita gente. Escrevi a série abaixo em 2008, mas ainda hoje (2015) vejo pessoas se impressionando com seus efeitos.

Nesta série vamos falar de tudo sobre HDR: desde como tirar as fotos até como editá-las, passando também pelos erros mais comuns.

Se bem utilizada, essa técnica pode dar vida à foto e criar um clima super-realista, tanto em cores como em P&B. Se mal utilizada, no entanto, ela pode criar um resultado falso e esquisito!

Vamos começar?

O que é HDR?

O que chamamos hoje de HDR é uma técnica que – simplificando ao máximo – faz fotos terem o máximo de detalhes mesmo quando a cena fotografada tem muito contraste. Usando esta técnica conseguimos mostrar os detalhes na sombra e na luz, ao mesmo tempo.

hdr-dicas-de-fotografia

Essa técnica já é usada a muito tempo, inclusive com filme. Mas é com o digital que ela ganhou força, sendo mais fácil aplicá-la em diversas situações.

Como utilizar essa técnica?

Para uma HDR é indicado tirar pelo menos 3 fotos com exposições diferentes da cena, utilizar um aplicativo específico (Photomatix, Photoshop, etc) para juntar esssas exposições e depois fazer diversos ajustes finos na imagem final.

Essas necessidades tornam a técnica um pouquinho complicada, mas não impossível ;)

Dá pra fazer só com uma foto? Sim – mas existem limites e a qualidade final da imagem vai cair. Dá pra fazer sem o cuidado de um tripé? Dá – mas as chances de aparecerem aberrações serão maiores. Dá pra fazer com uma câmera simples? Sim – mas as compactas não oferecem algumas facilidades na hora de tirar as fotos.

Mas o mais complicado não é a criação da HDR em si, e sim usar a situação ideal. O pecado de muitas HDRs que vemos por aí é o uso exagerado e muitas vezes sem necessidade da técnica.

Resumindo

Para criar uma foto com um Alcance Dinâmico Altíssimo (que é a HDR) nós tiramos três fotos que peguem os detalhes de toda a imagem:

E juntamos elas em uma só:

ISO 100, 10mm, f/5.6, tempos variados de exposiçãoaracaju, por claudia regina

ISO 100, 10mm, f/5.6, tempos variados de exposição
aracaju, por claudia regina

O que é HDR? Por que usar essa técnica?

HDR significa high dynamic range, ou seja, alto alcance dinâmico. Isso também não diz nada né? Pois bem, vou tentar explicar de uma forma não tão chata:

O alcance dinâmico é, basicamente, a quantidade de luz de diferentes intensidades que nossa câmera consegue registrar.

O olho humano tem um alcance dinâmico incrível: quando estamos olhando uma paisagem conseguimos ver os detalhes do céu, das nuvens, dos prédios, do mar, da grama… enfim: todos os detalhes. Já nossa câmera não!

Como dá pra ver nas duas imagens acima se quero registrar os detalhes do céu ao pôr do sol preciso “sacrificar” os detalhes do restante da cena, e vice-e-versa.

alcance dinâmico depende do formato de gravação do arquivo (os arquivos RAW tem vantagem aí) e também depende do próprio sensor da sua câmera. Mas mesmo fotografando em RAW ou com uma câmera fantástica tem momentos em que somente usando a técnica de HDR é possível captar cenas com intensidades de luz muito diferentes.

É usando essa teoria que criamos as tais das fotografias HDR: juntamos fotos com um alcance dinâmico pequeno, usando diversas exposições, para criar imagens com um alcance dinâmico gigantesco e mais parecido com o que vemos com nossos olhos.

Assim chegamos a um resultado de uma imagem com muita, mas muita, informação de luminosidade. E isso nos faz poder criar fotos super interessantes.

Na prática

Embora existam todos esses detalhes técnicos podemos simplificar a explicação:

O objetivo da HDR é conseguir captar o máximo de detalhes nas luzes e nas sombras.

Situações onde se usa HDR

Em praticamente toda cena que fotografamos existem sombras e luzes. Só que nem sempre estamos perdendo detalhes, por isso nem sempre é interessante fazer HDR. Exemplos:

Situação quando NÃO é necessário fazer HDR

Quando temos uma cena com pouca variação de sombra e luz e usar uma exposição normal (no “zero”) trará um bom resultado. Checando o histograma vemos que não perdemos detalhes nem nas sombras nem nas luzes.

Não sabe como analisar um histograma? Aprenda aqui.

Situação quando é interessante fazer HDR

Quando temos cenas de alta variação de luminosidade. Por exemplo: quando estamos fotografando com um céu bem aberto e claro. Nessas horas temos que decidir se nosso assunto será o céu (o que fará com que todo o resto da cena fique subexposta pois teremos que fotografar em -1 ou -2) ou se será o resto da cena (o que fará com que o céu fique inevitavelmente claro demais pois teremos que fotografar em +1 ou +2).

Neste caso iremos aumentar o alcance dinâmico da foto tirando várias fotos que capturem separadamente todos os detalhes.

Sabe porque esse tipo de foto é legal? Pois uma boa HDR faz a cena parecer real: com ela conseguimos simular o alcance dinâmico dos nossos olhos. :-)

O que não fazer

Toda técnica que fica na moda por um tempo acaba caindo em sobreuso. Assim como a vinhetagem encontramos muitas fotos em HDR mal feitas, mal trabalhadas ou simplesmente exageradas.

Aliás, o maior pecado na fotografia HDR é o exagero. Embora seja tentador utilizar valores máximos para criar um efeito incrível precisamos nos segurar para não doer os olhos do quem tá olhando!

Procurando por HDR no Flickr encontramos muitos exemplos bons e outros nem tantos da técnica. Existem alguns equívocos comuns que devemos evitar para chegar em um resultado bacana. Vou colocar alguns exemplos que considero equívocos aqui. Clique nas imagens para vizualizar a foto no Flickr de quem fez a foto.

Ps.: Não quero julgar ou apontar o dedo para fotógrafos que colocaram seus trabalhos por lá, é só a minha opinião sobre o assunto – não é regra absoluta.

Exemplos de pequenos deslizes na criação HDR

Muito cuidado com fotos contra o sol: podem ficar esquisitas e com cores diferentes da realidade. Lembre-se que o objetivo é parecer real, não uma animação 3D.

Tappan Zee Bridge HDR

Não exagere! Não é necessário usar as configurações mais extremas. Fotos que gritam “EU SOU UMA HDR” normalmente perdem o objetivo e você fica olhando só para o efeito, e não para a foto em si. É claro que esse pode ser o objetivo inicial, e neste caso tudo bem :-)

Um dos problemas de não usar um tripé ou simplesmente de descuido na edição é a aparição de Aberrações Cromáticas. Na foto abaixo esse contorno vermelho em torno da ponte é um bom exemplo de Aberração Cromática.

Swamp Bridge HDR

E, por fim, um problema tanto da captura quanto da edição: o halo. O halo é essa “mancha” que fica nas bordas bem onde existe o contraste entre claro e escuro. Na foto abaixo você pode ver a diferença de luminosidade do céu quando ele “encontra” a vegetação e as construções.

HDR Bridge

O maior erro é dar mais atenção para a técnica do que para a foto. O ideal é que a foto tenha suas características evidenciadas pela técnica HDR, e não o contrário. Tomando o cuidado necessário em cada etapa é possível conseguir fotos realmente bonitas.

Parte 1: Fazer as fotos

É hora de fazer nossa primeira foto! A primeira parte é, obviamente, tirarmos a foto – aliás, as fotos. Um dos segredos da HDR é tirarmos mais de uma foto. Tem gente que faz com duas, tem gente que faz com 5, tem gente que faz com 9.

Vou mostrar o passo a passo da criação da foto abaixo, que usou 3 cliques:

Equipamentos necessários

Você vai precisar de:

A parte mais importante aí é a câmera com regulagem manual. Isso porque vamos precisar fazer duas fotos “erradas” (uma muito clara e outra muito escura). Câmeras 100% automáticas não nos deixam fazer isso quando queremos =)

modo manualfoto por stratman2 - CC

modo manual
foto por stratman2 – CC

Os outros itens são importantes mas em alguns casos podem ser dispensados.

Hora de fotografar

Coloque sua câmera no tripé e faça a fotometragem normal. Comece com uma imagem parada, como uma paisagem. Assim você tem tempo de medir e deixar tudo nos conformes.

No meu exemplo a foto com exposição “correta” ficou com as seguintes configurações:

ISO 200, tempo de exposição 1/100 e f/18

Bata sua primeira foto.

Essa é a foto com exposição correta

Nunca mude a abertura pois isso fará com que a profundidade de campo mude também, complicando na hora de juntar as fotos. Então para fazer as outras duas exposições mude somente o tempo de exposição.

Nesse caso as minhas outras duas fotos ficaram com tempo de 1/400 (a mais escura) e 1/25 (a mais clara). Ou seja, subexpus em 2 pontos e depois superexpus em 2 pontos.

+2 e -2

Dica para quem tem AEB

Se sua câmera é Reflex (e não duvido que algumas compactas apresentem esse recurso) você pode procurar pela opção “AEB”, que significa auto exposure bracketing. Quando você usa essa opção a câmera vai tirar automaticamente duas fotos a mais: uma subexposta e uma superexposta. Isso é uma mão na roda na hora de fazer HDR!

aeb

Com a opção AEB selecionada vão aparecer três flechinhas embaixo do seu gráfico de fotometragem, representando as 3 exposições desejadas. Para não precisar clicar 3 vezes seguidas use o timer: assim a câmera faz o trabalho de “clicar” as 3 vezes seguidas.

Passo-a-passo detalhado

Formatos e mimimi’s

Você pode fotografar feliz em JPEG que a qualidade final vai ser muito boa. Mas se puder, fotografe em RAW e sua foto vai ficar com ainda mais qualidade.

É importante tirar várias fotos. Folhas se mexem, nuvens se mexem, pessoas entram na cena sem querer… enfim. Muita coisa pode acontecer então tome o cuidado de tirar várias séries de fotos. Depois é só escolher as melhores.

Fotos tiradas? Agora é hora de juntá-las!

Parte 2: Criar a HDR

Aplicativos utilizados

Para juntar as fotos que tiramos da nossa cena vamos utilizar o Photomatix. Esse é um programinha específico para criação de fotos em HDR e é bastante utilizado para criar este efeito.

O Photoshop, aplicativo usado por bastante gente, também oferece a opção de HDR. É só abrir o programa e ir no menu File > Automate > Merge to HDR Pro. A partir daí as opções de configuração ficarão parecidas com o que vou mostrar abaixo.

Usando o Photomatix

Abra o programa e escolha Generate HDR Image.

Ele vai pedir para selecionar os arquivos fonte. Vá em Browse para escolher as fotos.

Selecione as fotos que você fez com diferentes exposições (utilize Shift ou Ctrl para selecionar mais de uma de uma vez).

Clique em OK. Agora ele vai mostrar as opções de alinhamento e correção. Essa parte é importante para sua foto não ficar com aberrações!

Align Source Images

Selecionando essa opção você pede para o programa alinhar as suas fotos. Se você usou um tripé e o modo AEB dificilmente vai precisar habilitar essa opção pois as fotos estarão impecavelmente alinhadas.

Se você não utilizou AEB prefira selecionar a opção By correcting horizontal and vertical shifts, pois ao mexer nas configurações da câmera ela pode ter desviado um pouco.

Já se tirou as fotos com a câmera na mão o ideal é selecionar a opção By matching features já que a possibilidade das fotos terem ficado um pouco diferentes entre si é maior.

Attempt to reduce ghosting artifacts

Essa opção é para quando houver qualquer coisa que possa ter se mexido na cena entre uma exposição e outra.

Moving objects/people: auto-explicativo, caso tenha algo que se mexeu na cena como uma pessoa, cachorro, etc.

Background movements: movimentos na própria cena como nuvens e água (como na minha foto).

Ao utilizar fotos em RAW como fiz aqui você também pode mudar algumas opções do formato. Normalmente deixo como está.

Ao clicar em OK você deverá esperar até o programa criar sua HDR.

Quando ele terminar você irá ver uma foto bem feia! Calma! Essa é a HDR, mas nenhum monitor consegue “ver” a profundidade de cor de uma HDR então por isso só vemos um “preview” bem limitado. Depois que criamos essa HDR vamos para a parte mais importante: o Tone Mapping.

O Tone Mapping fica na palheta a esquerda, é quando vamos configurar a nossa HDR para transformá-la em uma foto com profundiade de cor menos abrangente, mas já com a aparência desejada.

Existem diversas opções de Tone Mapping e a melhor forma de ver como elas funcionam é criando várias HDRs diferentes e bisbilhotando os botões. A princípio podemos criar uma edição legal usando as opções da aba Details Enhancer.

Strength: é a “força” da HDR. Ou seja: quanto você quer que as exposições se misturem em uma só foto? Quanto menor o valor mais discreta será sua HDR. Quanto maior o valor mais forte será a edição (tome muito cuidado com isso!).

Color Saturation: saturação. Quanto maior o valor mais “colorida” (cores mais saturadas) ficará sua imagem.

Light Smoothing: uma das opções mais importantes. Note que se você selecionar a primeira “bolinha” a foto ficará super forçada e cheia de halos nas bordas. A última “bolinha” significa máxima suavização do efeito.

White Point: essa opção define um ponto de luminosidade, “clareando” sua cena.

Black Point: essa opção define um ponto de sombra, “escurecendo” sua cena.

Gamma: aqui a opção “gamma” tem uma característica diferente das opções de “gamma” que costumamos conhecer. Essa opção também usa a luminosidade da cena como forma de mostrar mais detalhes.

Process: depois de fazer suas edições você clica nele para processar a imagem e transformá-la em um arquivo que pode ser exportado (salvo) em outros formatos, assim você pode continuar editando a foto em outros programas como o Photoshop.

Prontinho! Temos nossa HDR! Viu como não foi tão difícil?

Lembre-se que o Photomatix possui opções para edição super fina de sua imagem em HDR, agora que você já sabe o básico vai em frente e teste todas as opções dele!

Parte 3: Editar a foto final

Nos passos anteriores aprendemos como tirar as fotos e como juntá-las em uma só. Agora que já temos uma imagem super detalhada temos que editá-la para que fique perfeita.

Como editar uma foto HDR

Você vai editar sua HDR com o mesmo cuidado que edita qualquer foto, buscando uma boa composição e equilíbrio de cores. Alguns detalhes para arrumar são comuns nas HDR’s:

Manchinhas

Sujeirinhas no CCD ou funguinhos na lente, por exemplo, são comuns de aparecer quando você tira uma foto de paisagem pois está usando uma abertura bem fechada e por isso aumentando a profundidade de campo. Na hora que olhei essa foto de perto percebi esse problema. Mas é possível retirar essas manchinhas usando uma ferramenta como o spot healing do photoshop.

Sujeirinhas não escapam de fotos de paisagem!

Aberrações

A coisa mais comum de acontecer na sua HDR é aparecerem algumas aberrações nas bordas. Principalmente quando você tirou as fotos de algo que estava se movendo (como folhas de árvore, que dificilmente ficam paradas) ou sem tripé. Neste caso eu seleciono as aberrações com a varinha (W)…

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…vou em Select > Expand e utilizo 1px, crio uma nova camada e preencho com uma cor parecida com o preenchimento ao lado (no caso escolhi a cor verde, das árvores). Depois coloco essa camada com o Blend Mode em “Color“…

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…e voilá! Sem aberrações! =)

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Edições finais

Agora você usa sua criatividade, dependendo do tipo de foto que fez. No meu caso usei ferramentas como Selective Color, camadas mascaradas com diferentes blend modes e redução de ruído no céu e na água. Tudo para deixar minha paisagem mais viva e chocante!

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Prontinho, a sua HDR está pronta!

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sobre a autora

De mãos vazias, Claudia Regina segura a pá. Anda a pé, montada no touro. Cruza a ponte, e ela flui, mas a água não.

claudiaregina.com

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