<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="pt-BR"><generator uri="https://jekyllrb.com/" version="4.3.4">Jekyll</generator><link href="https://dicasdefotografia.com.br/feed.xml" rel="self" type="application/atom+xml" /><link href="https://dicasdefotografia.com.br/" rel="alternate" type="text/html" hreflang="pt-BR" /><updated>2025-10-10T13:14:07+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/feed.xml</id><title type="html">Dicas de Fotografia</title><subtitle>Um guia completo da fotografia, totalmente grátis. Do equipamento à técnica, da composição à luz, tudo que você precisa saber para começar a fotografar.</subtitle><author><name>Claudia Regina</name></author><entry><title type="html">Por que não fotografei a tapioquinha?</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/por-que-nao-fotografei-a-tapioquinha" rel="alternate" type="text/html" title="Por que não fotografei a tapioquinha?" /><published>2024-12-01T00:00:00+00:00</published><updated>2024-12-01T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/por-que-nao-fotografei-a-tapioquinha</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/por-que-nao-fotografei-a-tapioquinha"><![CDATA[<blockquote>
  <p>Estou em Belém. Esta manhã, depois de ir ao banco, vejo uma senhora vendendo tapioquinha. Hum, adoro! Quero uma. Ela disse: “senta ali na sombra, moça, que tá sol!” Sentei. Da sombra, observei a tapioquinha tomando forma. Lá foi ela. Coloca a massa de tapioca na frigideira, em pequenas colheradas. Com a mesma colher, vai espalhando tudo para formar a panquequinha. Espera um instante. Sacode a frigideira e, num pulo, a tapioca já tinha virado pro outro lado. Espera mais um tantinho. Abre espaço num pano de prato e coloca a tapioca esticadinha por cima. Pega um pote de manteiga e, com uma faca, vai aos poucos besuntando a tapioca. Primeiro, nas bordas do círculo. Depois, no centro. A faca é colocada de lado. Fecha o pote de manteiga e pega o pote de queijo. “O queijo está bem molinho, tá calor!”. Com uma colherzinha vai pegando um pouquinho de queijo e espalhando na tapioca. Coloca um pouquinho aqui, outro pouquinho acolá. Espalha, espalha, espalha. Bota a tapioca, devidamente amanteigada e aqueijoada, na frigideira novamente. Aquece um pouquinho e, com a colher, vai enrolando, enrolando (aqui no Pará se come tapioca enroladinha, diferente de alguns outros locais do país onde se faz um pastel.) Tapioquinha devidamente enrolada, volta pro pano de prato. “É pra comer agora?” Opa, com certeza. Abre um pote, pega um guardanapo. Dobra no meio, levanta a tapioca, coloca ela em cima. Parece que está colocando a fralda num bebê, de tanta delicadeza. Repete com outro guardanapo, desta vez fazendo uma trouxinha. 3 reais por uma deliciosa tapioquinha feita por uma senhora sem pressa e com muito carinho.</p>
</blockquote>

<p>Publiquei o texto acima numa rede social, em 2014. Em pouco tempo surgiram os comentários: “cadê foto?”, “queremos fotos!”,“devia ter tirado uma foto!”,“por que não fotografou?”</p>

<p>Acredito que muita gente esperava que eu estivesse sempre de câmera na mão só porque era fotógrafa. Sei que não parece uma expectiva infundada, mas pra falar a verdade vejo muitos mais motivos para não fotografar do que para fotografar. A situação da tapioca exemplifica bem alguns deles:</p>

<h2 id="não-somos-neutros-com-uma-câmera-na-mão">Não somos neutros com uma câmera na mão</h2>

<p>Não tem como apontar a câmera para alguém e achar que essa é uma atitude neutra. A tapioqueira, claro, perceberia se eu começasse a fotografá-la. Talvez ela ficasse vaidosa e contente. Talvez se sentisse invadida. Talvez ficasse com vergonha. Talvez desse uma ajeitada na coluna. Existem várias possibilidades, mas todas elas pressupõem uma só: ela com certeza ficaria auto-consciente do seu corpo e de seus movimentos mudando completamente o rumo daquele momento.</p>

<p>Alterar o momento de rumo muitas vezes quebra algo que estava legal. Aquele momento sublime de uma senhora fazendo tapioca não merecia ser estragado por causa de uma foto.</p>

<p>Sou um pouco radical neste ponto: não só acho que não somos neutros com uma câmera na mão, como acho que fotografar outras pessoas é um ato violento por si só. As palavras que usamos para o ato de fotografar mostram muito bem o que estamos fazendo. <strong>Tirar</strong> uma foto. <strong>Capturar</strong> uma foto. Não só as câmeras profissionais são enormes e parecidas com armas, a gente ainda usa esta arma para capturar as pessoas! A responsabilidade é enorme. Nós é que decidimos o ângulo, o momento, como e quando apertar o botão. A pessoa fotografada está à mercê da nossa generosidade (ou falta dela.)</p>

<p>Se o nosso único objetivo com um retrato é fazer uma foto bonitinha, talvez seja melhor não fazer nada. Uma foto bonita não é um motivo bom o suficiente para cometer essa violência. Acredito que retratos podem ser lindas ferramentas para fazer algo pelas pessoas fotografadas e procuro focar meus esforços nestas possibilidades.</p>

<h2 id="a-fotografia-não-é-o-melhor-meio">A fotografia não é o melhor meio</h2>

<p>Que bobagem é aquele ditado que diz que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Nem sempre! No caso da tapioqueira, nenhuma foto ou série de fotos que eu fizesse passaria a história da forma que o texto passou. A fotografia é uma ferramenta e não tem nada de melhor que as outras. Às vezes, o que cumpre o objetivo é um texto, um vídeo, uma voz, uma mistura de tudo.</p>

<p>Me incomoda esta crença de que a fotografia pode passar uma mensagem de forma mais “verdadeira” que outras linguagens. A fotografia não é representação da realidade: é sempre um recorte intencional.</p>

<h2 id="a-fotografia-nos-toma-experiências">A fotografia nos toma experiências</h2>

<p>Se eu tivesse sacado uma câmera para fotografar a história da tapioca, em poucos segundos deixaria de perceber cada um dos movimentos da senhora e passaria a me preocupar com o foco e com a composição da foto. Por alguns segundos, eu deixaria de estar lá.</p>

<p>Ao contrário da ilustração ou da poesia, a fotografia está no dia a dia de muita gente. Susan Sontag, no seu livro “On photography”, disse que “todo mundo está usando a fotografia como diversão, quase tanto quanto o sexo.” Isso foi na década de 70. Hoje tenho certeza que fazemos muito, mas muito mais fotos do que fazemos sexo! É curioso como, tão de repente, nos parece normal passar tanto tempo das nossas vidas olhando o mundo e a sociedade através de retângulos luminosos.</p>

<p>Quando morei no Rio de Janeiro comecei a notar que viajar sem tirar fotos parece inimáginável. É só caminhar pela orla de Copacabana e ali está um moço fazendo uma foto do seu milho meio-comido com o pôr do sol ao fundo, ali está um grupo de amigas fazendo diversos selfies na praia, ali estão pais fotografando cada passo de um bebê. Durante minhas próprias viagens e passeios já cansei de ver guias na maior empolgação contando histórias e causos, e todo mundo só prestando atenção nas suas câmeras. Por quê? Talvez por um hábito impensado, talvez para seguir na busca incessante de impressionar os outros…</p>

<p>Mas nem sempre este é o caso. A maioria das pessoas que conheço e que gostam de fotografia dizem, de forma unânime, que a fotografia serve para relembrar um momento bom. Mas será que precisamos de tantas lembranças?</p>

<p>Será que precisamos voltar do Rio com mil fotos, para relembrar o Rio mais tarde, se quando de fato estávamos no Rio perdemos mil momentos vivendo o Rio através de um retângulo luminoso? E se, ao invés disso, vivêssemos o Rio com todos os nossos sentidos?</p>

<p>Será que precisamos passar a infância inteira das nossas crianças fotografando sem parar? Muita gente me conta que já tem milhares de fotos do bebê de um mês de idade. São milhares de momentos vendo o bebê através de uma tela, ao invés de viver o crescimento do bebê com todos os nossos sentidos.</p>

<p>Fazemos isso porque temos medo. A viagem acaba em poucos dias e bebês crescem muito rápido. O que é uma lembrança se não uma tentativa de segurar o passageiro? Temos medo do passageiro, porque ele passa. E, sim, o momento vai passar: mas não é esse o melhor motivo para fotografar menos e aproveitar mais?</p>

<p>No futuro, é bem possível que lembremos de algumas passagens boas do passado. Mas nossa memória não é infalível e com certeza vários momentos ficarão pra trás. Isso é um problema? Precisamos relembrar? Por que não podemos viver o momento naquele momento e nos desapegarmos dele depois?</p>

<p>Podemos usar a fotografia para ganhar nosso dinheiro. Podemos usar a fotografia como uma ferramenta do nosso próprio ego: provando aos outros que temos sucesso ou relembrando nossos próprios momentos bons. Mas também podemos deixá-la de lado e, com isso, parar para olhar para dentro e para fora. Olhar pra dentro nos ajuda a entender os nossos próprios porquês e de onde eles vêm. Olhar para fora nos ajuda a perceber o mundo que estamos dividindo com outros animais (inclusive os mais difíceis de entender: esses da nossa própria espécie) e como os nossos porquês afetam o que está à nossa volta. Quem sabe, depois de olhar tudo isso, podemos usar a fotografia como uma ferramenta de criação e de celebração.</p>

<hr />

<p>É por esses motivos que não fotografei a tapioquinha.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><summary type="html"><![CDATA[Estou em Belém. Esta manhã, depois de ir ao banco, vejo uma senhora vendendo tapioquinha. Hum, adoro! Quero uma. Ela disse: “senta ali na sombra, moça, que tá sol!” Sentei. Da sombra, observei a tapioquinha tomando forma. Lá foi ela. Coloca a massa de tapioca na frigideira, em pequenas colheradas. Com a mesma colher, vai espalhando tudo para formar a panquequinha. Espera um instante. Sacode a frigideira e, num pulo, a tapioca já tinha virado pro outro lado. Espera mais um tantinho. Abre espaço num pano de prato e coloca a tapioca esticadinha por cima. Pega um pote de manteiga e, com uma faca, vai aos poucos besuntando a tapioca. Primeiro, nas bordas do círculo. Depois, no centro. A faca é colocada de lado. Fecha o pote de manteiga e pega o pote de queijo. “O queijo está bem molinho, tá calor!”. Com uma colherzinha vai pegando um pouquinho de queijo e espalhando na tapioca. Coloca um pouquinho aqui, outro pouquinho acolá. Espalha, espalha, espalha. Bota a tapioca, devidamente amanteigada e aqueijoada, na frigideira novamente. Aquece um pouquinho e, com a colher, vai enrolando, enrolando (aqui no Pará se come tapioca enroladinha, diferente de alguns outros locais do país onde se faz um pastel.) Tapioquinha devidamente enrolada, volta pro pano de prato. “É pra comer agora?” Opa, com certeza. Abre um pote, pega um guardanapo. Dobra no meio, levanta a tapioca, coloca ela em cima. Parece que está colocando a fralda num bebê, de tanta delicadeza. Repete com outro guardanapo, desta vez fazendo uma trouxinha. 3 reais por uma deliciosa tapioquinha feita por uma senhora sem pressa e com muito carinho.]]></summary></entry><entry><title type="html">Como interpretar um histograma</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/como-interpretar-um-histograma" rel="alternate" type="text/html" title="Como interpretar um histograma" /><published>2024-11-30T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-30T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/601-como-interpretar-um-histograma</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/como-interpretar-um-histograma"><![CDATA[<p>Quando olhamos a foto no visor da câmera ou do computador nós estamos vendo somente a <strong>interpretação desses dispositivos</strong> quanto à verdadeira imagem. A única forma de entender, de verdade, como ficou nossa foto, é vendo isso graficamente. E é aí que entra o <strong>histograma</strong>!</p>

<h2 id="como-ele-é-e-onde-encontrá-lo">Como ele é e onde encontrá-lo</h2>

<p>O histograma é um lindo, simpático e inconfudível gráfico.</p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma.webp" alt="Ilustração de um histograma, parecendo uma montanha." /></p>

<p>Nas câmeras digitais o histograma costuma aparecer quando definimos mostrar mais informações / detalhes sobre a foto que foi tirada. Procure no manual do seu equipamento os botões usados para mostrar o histograma. Ele pode ser visto durante a captura da foto ou quando você está visualizando a foto já tirada.</p>

<p>histograma-camera</p>

<p>Nos programas de edição você facilmente vai encontrar uma janela chamada <strong>histograma ou histogram</strong>:</p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma-app.webp" alt="Captura de tela do menu de um programa de edição mostrando a localização do item histograma." /></p>

<h2 id="como-interpretar-um-histograma">Como interpretar um Histograma?</h2>

<p>É muito mais simples do que pode parecer. O gráfico simplesmente mostra a quantidade exata de pixels de luz e sombra de uma imagem.</p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma-o-que-e.webp" alt="Captura de tela mostrando uma imagem com gradiente do preto ao branco, o histograma correspondente com uma distribuição uniforme de pixels ao longo do eixo x." /></p>

<p>O eixo das ordenadas (eixo y) tem a quantidade de pixels. O eixo das abscissas (eixo x) tem todas as possibilidades de luminosidade de um pixel, do preto total (do lado esquerdo) ao branco total (do lado direito). No meio estão os tons de cinza que ficam no meio do caminho. Veja que, na imagem acima, que é um simples gradiente do preto ao branco, a quantidade de pixels está bem distribuída ao longo do gráfico.</p>

<h2 id="na-prática">Na prática</h2>

<p>Nossa câmera quer evitar fotos escuras ou fotos claras, portanto a tendência é que ela procure fazer fotos com um histograma mediano, assim:</p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma-perfeito.webp" alt="Histograma que parece uma montanha, com a maioria dos pixels na área central." /></p>

<p>Já adianto que quase nenhuma foto sua vai ficar com um histograma exatamente com esta montanha no meio, mas é o que nossas câmeras normalmente procuram. É esta luminosidade que ela vai procurar quando usarmos a câmera no automático e é esta luminosidade que ela vai nos falar que está correta quando usamos o modo manual (com aquela setinha no zero do fotômetro).</p>

<p>Mas existem momentos em que uma foto é repleta de tons mais escuros ou mais claros. Ao fazer fotos assim podemos checar o histograma para conferir se a exposição está mesmo correta e tudo que está escuro na cena também está escuro na foto. Veja os exemplos abaixo:</p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma-foto-escura.webp" alt="Foto de paisagem noturna em que se vê um píer pouco iluminado por um poste, e um barquinho laranja. O restante da paisagem está na escuridão. O histograma tem uma quantidade de pixels maior no lado esquerdo." /></p>

<p><img src="../assets/imgs/06/histograma-foto-clara.webp" alt="Foto de paisagem diurna em que se vê uma pessoa remando em um stand up paddle. O restante da paisagem – como o céu e o mar – se confundem pois estão bem iluminados. O histograma tem uma quantidade de pixels maior no lado direito." /></p>

<p>Na primeira imagem o histograma tem um pico no lado esquerdo e quase nada no lado direito. Isso significa que a foto tem muitos pontos escuros. É só olhar a foto para “provar” isso: é uma foto com poucos detalhes claros mesmo, e tá tudo bem.</p>

<p>Na segunda imagem o histograma tem um pico no lado direito. Isso significa que a foto tem enormes quantidades de pontos claros e poucos pontos escuros. Mais uma vez olhamos a foto e vemos que isso é verdade.</p>

<p>Lembre-se: não existe histograma perfeito. Existe o histograma adequado pra foto ficar do jeito que você está planejando.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Nerdices" /><summary type="html"><![CDATA[Quando olhamos a foto no visor da câmera ou do computador nós estamos vendo somente a interpretação desses dispositivos quanto à verdadeira imagem. A única forma de entender, de verdade, como ficou nossa foto, é vendo isso graficamente. E é aí que entra o histograma! Como ele é e onde encontrá-lo O histograma é um lindo, simpático e inconfudível gráfico. Nas câmeras digitais o histograma costuma aparecer quando definimos mostrar mais informações / detalhes sobre a foto que foi tirada. Procure no manual do seu equipamento os botões usados para mostrar o histograma. Ele pode ser visto durante a captura da foto ou quando você está visualizando a foto já tirada. histograma-camera Nos programas de edição você facilmente vai encontrar uma janela chamada histograma ou histogram: Como interpretar um Histograma? É muito mais simples do que pode parecer. O gráfico simplesmente mostra a quantidade exata de pixels de luz e sombra de uma imagem. O eixo das ordenadas (eixo y) tem a quantidade de pixels. O eixo das abscissas (eixo x) tem todas as possibilidades de luminosidade de um pixel, do preto total (do lado esquerdo) ao branco total (do lado direito). No meio estão os tons de cinza que ficam no meio do caminho. Veja que, na imagem acima, que é um simples gradiente do preto ao branco, a quantidade de pixels está bem distribuída ao longo do gráfico. Na prática Nossa câmera quer evitar fotos escuras ou fotos claras, portanto a tendência é que ela procure fazer fotos com um histograma mediano, assim: Já adianto que quase nenhuma foto sua vai ficar com um histograma exatamente com esta montanha no meio, mas é o que nossas câmeras normalmente procuram. É esta luminosidade que ela vai procurar quando usarmos a câmera no automático e é esta luminosidade que ela vai nos falar que está correta quando usamos o modo manual (com aquela setinha no zero do fotômetro). Mas existem momentos em que uma foto é repleta de tons mais escuros ou mais claros. Ao fazer fotos assim podemos checar o histograma para conferir se a exposição está mesmo correta e tudo que está escuro na cena também está escuro na foto. Veja os exemplos abaixo: Na primeira imagem o histograma tem um pico no lado esquerdo e quase nada no lado direito. Isso significa que a foto tem muitos pontos escuros. É só olhar a foto para “provar” isso: é uma foto com poucos detalhes claros mesmo, e tá tudo bem. Na segunda imagem o histograma tem um pico no lado direito. Isso significa que a foto tem enormes quantidades de pontos claros e poucos pontos escuros. Mais uma vez olhamos a foto e vemos que isso é verdade. Lembre-se: não existe histograma perfeito. Existe o histograma adequado pra foto ficar do jeito que você está planejando.]]></summary></entry><entry><title type="html">O que é o fator de corte</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/fator-de-corte" rel="alternate" type="text/html" title="O que é o fator de corte" /><published>2024-11-30T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-30T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/602-fator-de-corte</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/fator-de-corte"><![CDATA[<p>A expressão <strong>fator de corte</strong> tem a ver com a diferença entre o sensor <em>full frame</em> e o sensor <em>APS-C</em>.</p>

<p>Seja lá com qual câmera você estiver fotografando a objetiva sempre vai reproduzir o mundo do mesmo jeito. Ou seja, ela vai enviar para o sensor uma imagem circular refletida nas lentes.</p>

<p>A diferença é que um sensor <em>full frame</em> vai captar boa parte desta imagem, enquanto um sensor <em>APS-C</em> vai captar um pedaço menor!</p>

<p>Abaixo um exemplo ilustrado. Vamos considerar duas câmeras imaginárias que são completamente iguais, tendo somente tamanhos diferentes de sensor. Digamos que as duas câmeras gravam imagens de 21 megapixels (5616 x 3744) e estão usando uma lente 50mm:</p>

<div class="widephoto bgwhite">
    <img src="../assets/imgs/06/fator-de-corte.webp" alt="Diagrama mostrando uma imagem refletida em um sensor full frame e a mesma imagem refletida em um sensor com fator de corte, resultando na perda das bordas da imagem." />
</div>

<p>Como pode ver o tamanho do sensor não interfere em nada nas características da imagem. Ela fica igualzinha. Com o mesmo tamanho (resolução), com a mesma profundidade de campo e com as mesmas distorções da lente. A única diferença é que o sensor menor corta as bordas que apareceriam no sensor full frame.</p>

<p>Ao cortar um pedaço da imagem podemos supor que ao usar um sensor menor, a distância focal das lentes aparenta ficar maior.</p>

<p>É com base nessa suposta mudança de distância focal que nos baseamos para chegar em um fator de corte. A segunda câmera do exemplo, com um sensor de 22 x 15mm, vai fazer com que uma lente 31mm faça uma foto que mostra a mesma coisa que uma 50mm mostraria em uma <em>full frame</em>. Dividindo 50mm por 31mm chegamos em um valor aproximado de 1.6. É esse o fator de corte deste sensor.</p>

\[fator_{(50,31)} = \frac{50}{31} = 1.6\]

<p>Usamos este número para fazer o cálculo contrário, quando chega a hora de escolher uma lente para nossa câmera <em>APS-C</em>. Uma lente 50mm, quando usada em uma câmera com fator de corte de 1.6, vai mostrar o equivalente a uma lente 80mm (50 x 1.6).</p>

\[DF_{(equivalente)} = 50 \cdot 1.6 = 80\]

<p>É bom lembrar: todas as características de uma lente se mantém mesmo com o fator de corte, por isso é impreciso afirmar que uma lente 50mm se transforma magicamente em uma 80mm quando usada em
uma câmera <em>APS-C</em>. Sim, a lente vai cortar as bordas e mostrar o equivalente de uma 80mm, mas ainda assim vai se comportar como uma 50mm: com as mesmas aberrações, distorções e profundidade de campo.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Nerdices" /><summary type="html"><![CDATA[A expressão fator de corte tem a ver com a diferença entre o sensor full frame e o sensor APS-C.]]></summary></entry><entry><title type="html">Plano de foco</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/plano-de-foco" rel="alternate" type="text/html" title="Plano de foco" /><published>2024-11-30T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-30T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/603-plano-de-foco</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/nerdices/plano-de-foco"><![CDATA[<p>Já vimos que é possível fazer o foco em um determinado ponto da imagem quando estamos fotografrando. Também vimos que algumas características, principalmente a abertura do diafragma, determina o quanto esse foco irá se expandir à frente ou atrás do ponto em que focamos. Vamos detalhar um pouco mais esse assunto para entender mais profundamente a questão do foco.</p>

<p>Primeiro, precisamos entender que a parte que estará com maior nitidez em uma foto não é determinada por uma distância da lente para as partes da foto, e sim por uma distância entre a lente e um plano de foco. O que estiver localizado neste plano (independente da distância direta entre o assunto e a lente), ficará com maior nitidez na foto final.</p>

<p>Segundo, é importante também perceber que, fisicamente, só é possível que o foco fique perfeito em um plano. Logo, uma grande profundidade de campo não garante “mais coisas em foco”, e sim um nível de nitidez “menos pior” nas partes à frente e atrás do local onde foi determinado o foco.</p>

<hr />

<p>Imagine que quero fotografar uma pessoa de corpo inteiro. Se estou com a câmera totalmente paralela à minha modelo, conseguirei que tanto sua cabeça, quanto sua barriga, quanto seus pés, fiquem em foco.
No entanto, se eu medir a distância entre minha câmera e sua cabeça, sua barriga, e seus pés, não terei a mesma distância.</p>

<blockquote>
  <p>Lembre-se: nossas câmeras não focam em uma determinada <strong>distância</strong>, e sim em um determinado <strong>plano focal</strong> (e, este sim, tem uma distância da lente.)</p>
</blockquote>

<p>Por isso é sempre importante lembrar-se deste plano quando estamos fotografando: o ângulo usado pode colocar mais ou menos elementos dentro da área de foco, de acordo com o seu objetivo.</p>

<p>É por isso também que usar o método de focar e recompor em algumas situações pode trazer problemas de nitidez: ao mudar o ângulo da lente você muda a localização do plano focal, e aí é bem possível que aconteça <em>frontfocusing</em> ou <em>backfocusing</em>.</p>

<div class="widephoto bgwhite">
    <img src="../assets/imgs/06/plano-de-foco.webp" alt="Ilustração de uma câmera apontando para uma pessoa, em que se vê uma linha representando o plano de foco" />
</div>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Nerdices" /><summary type="html"><![CDATA[Já vimos que é possível fazer o foco em um determinado ponto da imagem quando estamos fotografrando. Também vimos que algumas características, principalmente a abertura do diafragma, determina o quanto esse foco irá se expandir à frente ou atrás do ponto em que focamos. Vamos detalhar um pouco mais esse assunto para entender mais profundamente a questão do foco.]]></summary></entry><entry><title type="html">Como fotografar o céu estrelado</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-do-ceu-estrelado" rel="alternate" type="text/html" title="Como fotografar o céu estrelado" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/500-como-fazer-fotos-do-ceu-estrelado</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-do-ceu-estrelado"><![CDATA[<p>A astrofotografia é uma área da fotografia que exige equipamentos extremamente específicos e absurdamente caros. Com eles é possível capturar imagens espetaculares dos astros, como esse trânsito da estação espacial internacional pelo Sol:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/iss-solar-transit-andrew-mccarthy.webp" alt="Imagem aproximada do sol com seus flares em destaque e a silhueta da estação espacial, pequenina, no canto inferior direito." />
    <figcaption>Trânsito da ISS pelo Sol, por <a href="https://www.instagram.com/cosmic_background/">Andrew McCarthy</a>.</figcaption>
</figure>

<p>(Um <a href="https://fotonastro.com.br/produto/coronado-solarmax-ii-90-single-stack-telescopio-solar-90mm-f-10/">telescópio com filtro H-alpha</a>, que permite fazer fotos da superfície solar como esta acima, custa quase 30 mil reais!)</p>

<p>Não é desse tipo de foto que vou falar por aqui. Vou falar sobre as fotos possíveis de se fazer com os equipamentos mais comuns da fotografia (um tripé e uma câmera com controles manuais.) Mesmo com um equipamento não especializado é possível fazer lindos registros do céu estrelado.</p>

<p>Eu, particulamente, comecei a me interessar pelo assunto quando visitei a Islândia – um dos lugares com o céu mais limpo do planeta –  e quando comecei a fazer viagens para caçar a Aurora Boreal. Essas experiências me fizeram aprender a apreciar o céu de outra forma e a olhar mais frequentemente para o alto.</p>

<hr />

<h3 id="o-que-precisamos-para-boas-fotos-de-estrelas">O que precisamos para boas fotos de estrelas?</h3>

<p>A primeira coisa que você vai precisar é de <strong>muita escuridão</strong>! Infelizmente nossas cidades causam uma enorme poluição luminosa e é difícil ver e fotografar o céu nessas condições. Nossa sorte é que nosso país possui muitas áreas menos iluminadas, onde é possível ver mais estrelas. <a href="https://www.meteorito.com.br/page/mapas-de-poluicao-luminosa">Neste site</a> você encontra mapas de poluição luminosa para descobrir onde é mais escurinho perto de você.</p>

<blockquote>
  <p>Além da poluição luminosa, considere a lua: nosso satélite natural reflete um tantão de luz do sol, então é interessante planejar suas fotos para uma época de lua nova.</p>
</blockquote>

<p>A foto abaixo foi feita durante um blecaute na Ilha Grande. Aliás, blecautes são bons momentos para fotografar nos lugares onde, normalmente, haveria muita poluição luminosa. Acabou a luz? Aproveita para ir olhar o céu!</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/ilha-grande-ceu.webp" alt="Foto do céu estrelado em que se vê a via láctea e uma paisagem com árvores em primeiro plano." />
    <figcaption>Ilha Grande/RJ. <em>ISO 2000, 10mm, f/2.8, 30</em></figcaption>
</figure>

<p>Estamos falando de fotos na escuridão, então será necessário usar uma exposição longa para conseguir captar a luz que as estrelas, lá longe, emitem. Às vezes podemos usar até 30 segundos. <strong>Um bom tripé</strong> será um grande amigo durante essas longas exposições. Quanto às objetivas, sugiro as <strong>lentes grande-angulares</strong> pois com elas conseguimos captar não só a imensidão do céu mas, também, a paisagem.</p>

<p>Outro acessório interessante é um disparador remoto, que permite fazer a foto sem tocar na câmera (evitando tremores) e selecionar facilmente o tempo de exposição preferido. Atualmente muitas câmeras possuem a opção de um disparador remoto via <em>app</em> pelo <em>smartphone</em>.</p>

<blockquote>
  <p>Dica: se for usar o celular como disparador remoto ou mesmo para conseguir ver melhor no escuro, tente diminuir o brilho da tela para o mínimo possível. Assim você não ofusca sua visão na escuridão. Se você estiver junto com outras pessoas, isso também evita de estragar a foto delas!</p>
</blockquote>

<p>O último e mais importante item necessário é <strong>paciência</strong>. As nuvens são as maiores inimigas das fotos de estrelas. É essencial ter calma e esperar elas passarem. Muita gente gosta de fazer esse tipo de foto durante acampamentos, pois além de conseguir pernoitar em lugares sem poluição luminosa, dá pra ficar a noite inteira olhando o céu e esperando a situação ideal. Se for impossível se livrar das nuvens, junte-se a elas, e tente incluí-las na composição.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/nuvens-e-estrelas.webp" alt="Foto do céu estrelado em que se vê a via láctea e uma paisagem com montanhas e geleiras, além de nuvens." />
    <figcaption>Islândia. <em>ISO 1000, 14mm, f/4, 30</em></figcaption>
</figure>

<h3 id="constelações-e-via-láctea">Constelações e via láctea</h3>

<p>Se você não tem muita intimidade com a astronomia e quer ter uma ideia do que está acontecendo no céu, pode usar um site ou aplicativo (como o gratuito <a href="https://stellarium-web.org/">Stellarium</a>) para te mostrar os nomes das estrelas, das constelações e a localização da via láctea. Se o aparelho for compatível você pode apontar o celular para o céu e ver tudo com realidade aumentada!</p>

<h3 id="passo-a-passo">Passo a passo</h3>

<p>Muito bem, você já escolheu um lugar bem escuro e está com o tripé pronto apontando para o céu. E agora? Como ver a composição? Como focar? Como fotometrar?</p>

<p>Você vai perceber que no escuro é bem difícil ver o que você está fotografando! Nessa hora, vale a tentativa e erro. Não se importando muito com as configurações exatas, aponte para onde quer fotografar olhando pelo visor (não pelo LCD, que fica num breu total) e faça algumas fotos de teste para descobrir a melhor composição.</p>

<p>Agora é a hora de fazer o foco. O mais prático é deixar no modo manual, sempre checando o resultado a cada foto. Às vezes esbarramos na lente sem querer, ao mudar a câmera de lugar e o foco vai pro espaço (desculpe o trocadilho!)</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/estrelas-foco-1.webp" alt="Foto toda desfocada do céu." />
    <figcaption>Fora de foco... Lumiar/RJ. <em>ISO 6400, 10mm, f/2.8, 19'</em></figcaption>
</figure>

<p>A maioria das lentes possui uma marcação que permite selecionar o foco infinito. É este que você vai escolher (use uma lanterna ou celular para ver a marcação no escuro.) Se a sua lente não possui essa marcação, crie uma. Durante o dia, use o foco automático para focar em um lugar bem longe, e use fita adesiva para marcar ou prender o anel de foco da lente.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/estrelas-foco-2.webp" alt="Foto toda desfocada do céu." />
    <figcaption>...Agora, sim! Lumiar/RJ. <em>ISO 6400, 10mm, f/2.8, 19'</em></figcaption>
</figure>

<p>Comece selecionando a máxima abertura que a sua lente permitir e o máximo de ISO que você tem coragem. O tempo de exposição deve ser longo o suficiente (quanto mais longo, mais sua câmera vai conseguir registrar as estrelas mais fraquinhas.) Você pode testar com 20 ou 30 segundos, e ir verificando o resultado.</p>

<p>Mas tome cuidado: ao usar um tempo de exposição muito longo a câmera começará a registrar o movimento de rotação da terra, fazendo com que as estrelas façam rastros no céu.</p>

<p>Esse efeito – chamado de <em>star trail</em> – pode ficar bonito, mas nem sempre é o que você quer. Para saber o máximo de tempo que você pode usar sem que as estrelas comecem a se mover na foto você pode usar uma continha simples conhecida como “regra dos 500”: divida 500 pela distância focal da lente e encontrará o tempo máximo para conseguir fotos de estrelas sem rastros visíveis.</p>

<p>Exemplo: se estou usando uma lente 10mm, divido 500 por 10 e chego em 50. Isso quer dizer que posso usar até 50 segundos sem que as estrelas criem um rastro.</p>

<p>Veja abaixo um exemplo de duas fotos que fiz na mesma situação e com as mesmas configurações, só trocando a lente:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/estrelas-trail-1.webp" alt="Foto do céu com estrelas sem rastros e montanhas." />
    <figcaption>Usando uma 10mm, não há rastros de estrelas. Oberhofen/Suíça. <em>ISO 1000, 10mm, f/3.5, 30'</em></figcaption>
</figure>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/estrelas-trail-2.webp" alt="Foto do céu com estrelas sem rastros e montanhas." />
    <figcaption>Usando uma 200mm, os rastros aparecem. Oberhofen/Suíça. <em>ISO 1000, 200mm, f/3.5, 30'</em></figcaption>
</figure>

<blockquote>
  <p><strong>Dica:</strong> se você está usando uma câmera com <a href="/nerdices/fator-de-corte">fator de corte</a>, use a distância focal aparente no cálculo. Uma lente 10mm usada numa câmera com fator de corte de 1.6 vai ter uma distância focal de 16mm (10 vezes 1.6). 500 / 16 = 31. Posso usar, neste caso, no máximo 31 segundos.</p>
</blockquote>

<p>Inclusive, um dos equipamentos caros da astrofotografia é um acessório que faz a câmera girar “junto com o céu”, permitindo exposições bem mais longas que não criam o <em>star trail</em>. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-lmcKyh7eww&amp;t=3708s">Veja neste vídeo</a> as opções de equipamento que cumprem esse papel.</p>

<h3 id="aurora-boreal">Aurora boreal</h3>

<p>As mesmas dicas que valem para o céu estrelado valem para a Aurora Boreal. Este fenômeno é visível nas regiões próximas do círculo polar ártico e pode ser visto nas épocas de inverno (que é quando está mais escuro por lá).</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/aurora-boreal.webp" alt="Foto de um céu iluminado pela Aurora Boreal, montanhas, lagos e pedras na paisagem." />
    <figcaption>Troms/Noruega. <em>ISO 1000, 10mm, f/2.8, 8'</em></figcaption>
</figure>

<p>Se você tiver a oportunidade de ir “caçar” a aurora, aproveite para fotografá-la usando esse mesmo passo a passo.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[A astrofotografia é uma área da fotografia que exige equipamentos extremamente específicos e absurdamente caros. Com eles é possível capturar imagens espetaculares dos astros, como esse trânsito da estação espacial internacional pelo Sol: Trânsito da ISS pelo Sol, por Andrew McCarthy. (Um telescópio com filtro H-alpha, que permite fazer fotos da superfície solar como esta acima, custa quase 30 mil reais!) Não é desse tipo de foto que vou falar por aqui. Vou falar sobre as fotos possíveis de se fazer com os equipamentos mais comuns da fotografia (um tripé e uma câmera com controles manuais.) Mesmo com um equipamento não especializado é possível fazer lindos registros do céu estrelado. Eu, particulamente, comecei a me interessar pelo assunto quando visitei a Islândia – um dos lugares com o céu mais limpo do planeta – e quando comecei a fazer viagens para caçar a Aurora Boreal. Essas experiências me fizeram aprender a apreciar o céu de outra forma e a olhar mais frequentemente para o alto. O que precisamos para boas fotos de estrelas? A primeira coisa que você vai precisar é de muita escuridão! Infelizmente nossas cidades causam uma enorme poluição luminosa e é difícil ver e fotografar o céu nessas condições. Nossa sorte é que nosso país possui muitas áreas menos iluminadas, onde é possível ver mais estrelas. Neste site você encontra mapas de poluição luminosa para descobrir onde é mais escurinho perto de você. Além da poluição luminosa, considere a lua: nosso satélite natural reflete um tantão de luz do sol, então é interessante planejar suas fotos para uma época de lua nova. A foto abaixo foi feita durante um blecaute na Ilha Grande. Aliás, blecautes são bons momentos para fotografar nos lugares onde, normalmente, haveria muita poluição luminosa. Acabou a luz? Aproveita para ir olhar o céu! Ilha Grande/RJ. ISO 2000, 10mm, f/2.8, 30 Estamos falando de fotos na escuridão, então será necessário usar uma exposição longa para conseguir captar a luz que as estrelas, lá longe, emitem. Às vezes podemos usar até 30 segundos. Um bom tripé será um grande amigo durante essas longas exposições. Quanto às objetivas, sugiro as lentes grande-angulares pois com elas conseguimos captar não só a imensidão do céu mas, também, a paisagem. Outro acessório interessante é um disparador remoto, que permite fazer a foto sem tocar na câmera (evitando tremores) e selecionar facilmente o tempo de exposição preferido. Atualmente muitas câmeras possuem a opção de um disparador remoto via app pelo smartphone. Dica: se for usar o celular como disparador remoto ou mesmo para conseguir ver melhor no escuro, tente diminuir o brilho da tela para o mínimo possível. Assim você não ofusca sua visão na escuridão. Se você estiver junto com outras pessoas, isso também evita de estragar a foto delas! O último e mais importante item necessário é paciência. As nuvens são as maiores inimigas das fotos de estrelas. É essencial ter calma e esperar elas passarem. Muita gente gosta de fazer esse tipo de foto durante acampamentos, pois além de conseguir pernoitar em lugares sem poluição luminosa, dá pra ficar a noite inteira olhando o céu e esperando a situação ideal. Se for impossível se livrar das nuvens, junte-se a elas, e tente incluí-las na composição. Islândia. ISO 1000, 14mm, f/4, 30 Constelações e via láctea Se você não tem muita intimidade com a astronomia e quer ter uma ideia do que está acontecendo no céu, pode usar um site ou aplicativo (como o gratuito Stellarium) para te mostrar os nomes das estrelas, das constelações e a localização da via láctea. Se o aparelho for compatível você pode apontar o celular para o céu e ver tudo com realidade aumentada! Passo a passo Muito bem, você já escolheu um lugar bem escuro e está com o tripé pronto apontando para o céu. E agora? Como ver a composição? Como focar? Como fotometrar? Você vai perceber que no escuro é bem difícil ver o que você está fotografando! Nessa hora, vale a tentativa e erro. Não se importando muito com as configurações exatas, aponte para onde quer fotografar olhando pelo visor (não pelo LCD, que fica num breu total) e faça algumas fotos de teste para descobrir a melhor composição. Agora é a hora de fazer o foco. O mais prático é deixar no modo manual, sempre checando o resultado a cada foto. Às vezes esbarramos na lente sem querer, ao mudar a câmera de lugar e o foco vai pro espaço (desculpe o trocadilho!) Fora de foco... Lumiar/RJ. ISO 6400, 10mm, f/2.8, 19' A maioria das lentes possui uma marcação que permite selecionar o foco infinito. É este que você vai escolher (use uma lanterna ou celular para ver a marcação no escuro.) Se a sua lente não possui essa marcação, crie uma. Durante o dia, use o foco automático para focar em um lugar bem longe, e use fita adesiva para marcar ou prender o anel de foco da lente. ...Agora, sim! Lumiar/RJ. ISO 6400, 10mm, f/2.8, 19' Comece selecionando a máxima abertura que a sua lente permitir e o máximo de ISO que você tem coragem. O tempo de exposição deve ser longo o suficiente (quanto mais longo, mais sua câmera vai conseguir registrar as estrelas mais fraquinhas.) Você pode testar com 20 ou 30 segundos, e ir verificando o resultado. Mas tome cuidado: ao usar um tempo de exposição muito longo a câmera começará a registrar o movimento de rotação da terra, fazendo com que as estrelas façam rastros no céu. Esse efeito – chamado de star trail – pode ficar bonito, mas nem sempre é o que você quer. Para saber o máximo de tempo que você pode usar sem que as estrelas comecem a se mover na foto você pode usar uma continha simples conhecida como “regra dos 500”: divida 500 pela distância focal da lente e encontrará o tempo máximo para conseguir fotos de estrelas sem rastros visíveis. Exemplo: se estou usando uma lente 10mm, divido 500 por 10 e chego em 50. Isso quer dizer que posso usar até 50 segundos sem que as estrelas criem um rastro. Veja abaixo um exemplo de duas fotos que fiz na mesma situação e com as mesmas configurações, só trocando a lente: Usando uma 10mm, não há rastros de estrelas. Oberhofen/Suíça. ISO 1000, 10mm, f/3.5, 30' Usando uma 200mm, os rastros aparecem. Oberhofen/Suíça. ISO 1000, 200mm, f/3.5, 30' Dica: se você está usando uma câmera com fator de corte, use a distância focal aparente no cálculo. Uma lente 10mm usada numa câmera com fator de corte de 1.6 vai ter uma distância focal de 16mm (10 vezes 1.6). 500 / 16 = 31. Posso usar, neste caso, no máximo 31 segundos. Inclusive, um dos equipamentos caros da astrofotografia é um acessório que faz a câmera girar “junto com o céu”, permitindo exposições bem mais longas que não criam o star trail. Veja neste vídeo as opções de equipamento que cumprem esse papel. Aurora boreal As mesmas dicas que valem para o céu estrelado valem para a Aurora Boreal. Este fenômeno é visível nas regiões próximas do círculo polar ártico e pode ser visto nas épocas de inverno (que é quando está mais escuro por lá). Troms/Noruega. ISO 1000, 10mm, f/2.8, 8' Se você tiver a oportunidade de ir “caçar” a aurora, aproveite para fotografá-la usando esse mesmo passo a passo.]]></summary></entry><entry><title type="html">Técnica do cartão preto</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-usar-a-tecnica-do-cartao-preto" rel="alternate" type="text/html" title="Técnica do cartão preto" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/501-como-usar-a-tecnica-do-cartao-preto</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-usar-a-tecnica-do-cartao-preto"><![CDATA[<p>A técnica do cartão preto é utilizada para conseguir fotos bem expostas em situações onde um pedaço da foto está muito mais claro que o outro. Usamos essa técnica principalmente em momentos como no nascer do sol ou pôr do sol, quando a exposição do céu fica muito diferente da exposição da paisagem. Usar o cartão preto é uma forma fácil de já ter uma foto bem exposta sem precisar contar com a pós-produção.</p>

<p>Vamos ver um exemplo? As fotos abaixo foram feitas um pouco antes do nascer do sol. Quando eu queria que o céu tivesse detalhes, ela ficou assim:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/cartao-preto-subexposta.webp" alt="Foto de uma paisagem ao nascer do sol, onde se vê o céu alaranjado e a silhueta de uma placa, árvores e um banco bem escuro no primeiro plano." />
    <figcaption>Dá pra ver o céu, mas não dá pra ver a paisagem. <em>ISO 100, 10mm, f/8, 3”</em></figcaption>
</figure>

<p>Para conseguir os detalhes da paisagem, no entanto, tive que aumentar o tempo de exposição. Consegui os detalhes do banco… Mas perdi o céu:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/cartao-preto-superexposta.webp" alt="Foto da mesma paisagem anterior onde se vê os detalhes do caminho e do banco, mas o céu está muito claro e sem detalhes." />
    <figcaption>Dá pra ver a paisagem, mas perdemos os detalhes do céu. <em>ISO 100, 10mm, f/8, 30”</em></figcaption>
</figure>

<p>Usando a técnica do cartão preto, no entanto, consigo uma foto que tem a exposição correta tanto no céu quanto na paisagem:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/cartao-preto-final.webp" alt="A foto da mesma paisagem das imagens anteriores, agora sendo possível ver o céu alaranjado ao fundo e os detalhes do banco e do caminho de concreto do primeiro plano." />
    <figcaption>Agora é possível ver tanto o céu quanto a paisagem. <em>ISO 100, 10mm, f/8, 30”</em></figcaption>
</figure>

<p>A técnica é muito simples: com a câmera em um tripé, você segura um objeto preto na frente da lente, cobrindo a metade mais clara da foto. No final da exposição, é só tirar o cartão e deixar a parte mais clara ter sua exposição correta.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/cartao-preto-1.webp" alt="Ilustração em dois passos: primeiro, uma mão segura um cartão preto na frente da lente da câmera, obstruindo parte da lente. Depois, o cartão é retirado." /></p>

<h3 id="passo-a-passo-detalhado">Passo a passo detalhado</h3>

<ol>
  <li>
    <p>Faça a medição da fotometria apontando para a parte clara e para a parte escura da cena, mudando somente o tempo de exposição. No exemplo da foto acima, usando ISO 100 e f/8, tive uma exposição de 30 segundos para a paisagem e de 3 segundos para o céu.</p>
  </li>
  <li>
    <p>Escolha a exposição mais longa (neste caso, 30 segundos) e coloque o cartão preto na frente da lente, cobrindo somente a parte mais clara do quadro. Olhe pelo visor ou use o LCD para checar se o cartão está cobrindo de fato a parte que você quer.</p>
  </li>
  <li>
    <p>Aperte o botão do obturador para começar a fazer a foto. Conte os segundos que se passaram e, quando faltarem os segundos da exposição mais curta, tire o cartão de frente da lente! Contar mentalmente pode não ser muito preciso, então podemos usar o cronômetro do celular. No caso da foto de exemplo, tirei o cartão quando meu cronômetro chegou em 27 segundos (30 segundos da exposição da paisagem menos 3 segundos da exposição do céu.)</p>
  </li>
</ol>

<p><img src="../assets/imgs/05/cartao-preto-2.webp" class="floatleft" alt="Ilustração de câmera apontando para nós, com uma mão segurando um cartão preto na frente da lente e a indicação de movimentos circulares indicados por setas" />Enquanto está segurando o cartão na frente da lente, tente fazer pequenos (bem pequenos mesmo) movimentos circulares para que a foto não saia com uma linha muito definida da diferença de exposição.</p>

<p>Pronto. Sua foto foi feita usando duas exposições diferentes e ficou linda!</p>

<p>Essa técnica só funciona com exposições longas, pois é humanamente impossível tirar o cartão no meio de uma exposição de meio segundo! :)</p>

<p>E, embora o nome seja “técnica do <em>cartão preto</em>”, você pode usar qualquer coisa que bloqueie a exposição do sensor da câmera: só precisa ser um objeto plano, escuro e fosco.</p>

<blockquote>
  <p><strong>Dica:</strong> se você tem um disparador remoto é uma boa ideia utilizá-lo: você pode selecionar a opção bulb e contar o tempo direto no cronômetro.</p>
</blockquote>

<p>Você pode ter percebido que essa técnica imita o efeito dos filtros que fazem algo bem parecido com esta técnica: os filtros graduados de densidade neutra (ou, simplesmente, <em>ND-grad</em>.) Já falamos sobre eles <a href="/o-equipamento/filtros">aqui neste tópico sobre filtros</a>. Os filtros <em>ND-grad</em> também compensam a exposição de uma parte do quadro.</p>

<p><img src="../assets/imgs/01/filtros-nd-grad.webp" alt="Ilustração de diversos círculos simulando filtros ND-grad com gradientes e diferentes cores." /></p>

<p>A vantagem do filtro é a facilidade de uso. As desvantagens são limite de pontos de exposição (normalmente só até 3 pontos) e localização do gradiente (dá pra colocar o cartão mais pra cima e mais pra baixo, ao contrário do filtro, caso ele seja circular.)</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[A técnica do cartão preto é utilizada para conseguir fotos bem expostas em situações onde um pedaço da foto está muito mais claro que o outro. Usamos essa técnica principalmente em momentos como no nascer do sol ou pôr do sol, quando a exposição do céu fica muito diferente da exposição da paisagem. Usar o cartão preto é uma forma fácil de já ter uma foto bem exposta sem precisar contar com a pós-produção. Vamos ver um exemplo? As fotos abaixo foram feitas um pouco antes do nascer do sol. Quando eu queria que o céu tivesse detalhes, ela ficou assim: Dá pra ver o céu, mas não dá pra ver a paisagem. ISO 100, 10mm, f/8, 3” Para conseguir os detalhes da paisagem, no entanto, tive que aumentar o tempo de exposição. Consegui os detalhes do banco… Mas perdi o céu: Dá pra ver a paisagem, mas perdemos os detalhes do céu. ISO 100, 10mm, f/8, 30” Usando a técnica do cartão preto, no entanto, consigo uma foto que tem a exposição correta tanto no céu quanto na paisagem: Agora é possível ver tanto o céu quanto a paisagem. ISO 100, 10mm, f/8, 30” A técnica é muito simples: com a câmera em um tripé, você segura um objeto preto na frente da lente, cobrindo a metade mais clara da foto. No final da exposição, é só tirar o cartão e deixar a parte mais clara ter sua exposição correta. Passo a passo detalhado Faça a medição da fotometria apontando para a parte clara e para a parte escura da cena, mudando somente o tempo de exposição. No exemplo da foto acima, usando ISO 100 e f/8, tive uma exposição de 30 segundos para a paisagem e de 3 segundos para o céu. Escolha a exposição mais longa (neste caso, 30 segundos) e coloque o cartão preto na frente da lente, cobrindo somente a parte mais clara do quadro. Olhe pelo visor ou use o LCD para checar se o cartão está cobrindo de fato a parte que você quer. Aperte o botão do obturador para começar a fazer a foto. Conte os segundos que se passaram e, quando faltarem os segundos da exposição mais curta, tire o cartão de frente da lente! Contar mentalmente pode não ser muito preciso, então podemos usar o cronômetro do celular. No caso da foto de exemplo, tirei o cartão quando meu cronômetro chegou em 27 segundos (30 segundos da exposição da paisagem menos 3 segundos da exposição do céu.) Enquanto está segurando o cartão na frente da lente, tente fazer pequenos (bem pequenos mesmo) movimentos circulares para que a foto não saia com uma linha muito definida da diferença de exposição. Pronto. Sua foto foi feita usando duas exposições diferentes e ficou linda! Essa técnica só funciona com exposições longas, pois é humanamente impossível tirar o cartão no meio de uma exposição de meio segundo! :) E, embora o nome seja “técnica do cartão preto”, você pode usar qualquer coisa que bloqueie a exposição do sensor da câmera: só precisa ser um objeto plano, escuro e fosco. Dica: se você tem um disparador remoto é uma boa ideia utilizá-lo: você pode selecionar a opção bulb e contar o tempo direto no cronômetro. Você pode ter percebido que essa técnica imita o efeito dos filtros que fazem algo bem parecido com esta técnica: os filtros graduados de densidade neutra (ou, simplesmente, ND-grad.) Já falamos sobre eles aqui neste tópico sobre filtros. Os filtros ND-grad também compensam a exposição de uma parte do quadro. A vantagem do filtro é a facilidade de uso. As desvantagens são limite de pontos de exposição (normalmente só até 3 pontos) e localização do gradiente (dá pra colocar o cartão mais pra cima e mais pra baixo, ao contrário do filtro, caso ele seja circular.)]]></summary></entry><entry><title type="html">Como fotografar comida</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-de-comida" rel="alternate" type="text/html" title="Como fotografar comida" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/502-como-fazer-fotos-de-comida</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-de-comida"><![CDATA[<p>O princípio da fotografia de comida é ela parecer muito mais bonita do que é na vida real. E não é propaganda enganosa: é que na vida real você tem o cheiro, a textura e o sabor. Na foto, o único sentido que podemos usar é a visão. As imagens bonitas compensam os outros sentidos.</p>

<h3 id="90-da-foto-de-comida-é-a-produção">90% da foto de comida é a produção</h3>

<p>Antes de começar a clicar devemos nos preocupar com a <strong>produção</strong> da cena. Você quer uma aparência mais minimalista? Pode trabalhar com um fundo branco e louças discretas. Quer uma aparência mais caseira? Pode usar uma mesa de madeira, pratos com detalhes e guardanapos coloridos.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/comidinhas-02.webp" alt="Foto de uma mesa de madeira vista de cima onde se vê uma tigela com ovos caipiras, uma tábua de madeira com bifes de carne e detalhes de pimentas e cebolas." />
    <figcaption>Produção por <a href="http://cozinhadamatilde.com.br/">Letícia Massula</a>. <em>ISO 100, 35mm, f/1.4, 1/100</em></figcaption>
</figure>

<p>O resultado final da fotografia de comida depende muito mais dessa produção do que de outros aspectos mais técnicos.</p>

<p>A produção deve casar com o objetivo da foto: as fotos de comida para um catálogo de supermercado são totalmente diferentes das fotos de comida para divulgar o restaurante no instagram.</p>

<h3 id="iluminação">Iluminação</h3>

<p>Uma luz difusa vai dar todo o destaque para a comida, enquanto uma luz mais dramática pode sugerir um clima mais aconchegante. A foto abaixo foi feita usando uma luz LED e criou um clima de amanhecer:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/comidinhas-04.webp" alt="Imagem de uma mesa posta com pães, um pequeno bule e um copo de onde sai fumacinha. É possível ver a base de um vaso transparente com o caule de flores." />
    <figcaption>Aparência de amanhecer.</figcaption>
</figure>

<p>Já esta foto, usando uma iluminação natural difusa, dá total destaque ao alimento:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/comidinhas-01.webp" alt="Foto aproximada de um bolo com partes cobertas de açúcar e pequenas rodelas de mini limões, em cima de uma toalha de chita." />
    <figcaption>Luz difusa.</figcaption>
</figure>

<h3 id="equipamentos-indicados-para-fotos-de-comida">Equipamentos indicados para fotos de comida</h3>

<p>Um tripé ajuda muito a ter controle enquanto você faz fotos de comida, e uma lente clara vai garantir bastante desfoque. Uma lente 50mm <em>f</em>/1.8 é ótima para começar a fazer fotos lindas. Comece usando a luz natural, que entra pela janela, e experimente outras fontes de iluminação para criar outros efeitos.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[O princípio da fotografia de comida é ela parecer muito mais bonita do que é na vida real. E não é propaganda enganosa: é que na vida real você tem o cheiro, a textura e o sabor. Na foto, o único sentido que podemos usar é a visão. As imagens bonitas compensam os outros sentidos. 90% da foto de comida é a produção Antes de começar a clicar devemos nos preocupar com a produção da cena. Você quer uma aparência mais minimalista? Pode trabalhar com um fundo branco e louças discretas. Quer uma aparência mais caseira? Pode usar uma mesa de madeira, pratos com detalhes e guardanapos coloridos. Produção por Letícia Massula. ISO 100, 35mm, f/1.4, 1/100 O resultado final da fotografia de comida depende muito mais dessa produção do que de outros aspectos mais técnicos. A produção deve casar com o objetivo da foto: as fotos de comida para um catálogo de supermercado são totalmente diferentes das fotos de comida para divulgar o restaurante no instagram. Iluminação Uma luz difusa vai dar todo o destaque para a comida, enquanto uma luz mais dramática pode sugerir um clima mais aconchegante. A foto abaixo foi feita usando uma luz LED e criou um clima de amanhecer: Aparência de amanhecer. Já esta foto, usando uma iluminação natural difusa, dá total destaque ao alimento: Luz difusa. Equipamentos indicados para fotos de comida Um tripé ajuda muito a ter controle enquanto você faz fotos de comida, e uma lente clara vai garantir bastante desfoque. Uma lente 50mm f/1.8 é ótima para começar a fazer fotos lindas. Comece usando a luz natural, que entra pela janela, e experimente outras fontes de iluminação para criar outros efeitos.]]></summary></entry><entry><title type="html">Como fotografar com pouca luz e à noite</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-noturnas" rel="alternate" type="text/html" title="Como fotografar com pouca luz e à noite" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/503-como-fazer-fotos-noturnas</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-fotos-noturnas"><![CDATA[<p>Fotos noturnas podem ser desafiadoras: é difícil focar, é difícil fotometrar e podemos acabar com um borrão que não diz nada.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/foto-noturna-telefone.webp" alt="Imagem noturna de um telefone público com uma luz amarelada dentro dele." />
    <figcaption>Oslo/Noruega. <em>ISO 100, 10mm, f/2.8, 1/25</em></figcaption>
</figure>

<p>Mas não desanime: fotos noturnas podem ser muito divertidas de fazer e depois que a gente pega o jeito, dá vontade de trocar o dia pela noite.</p>

<p>Vou contar alguns truques que me ajudaram a conseguir fotos norturnas mais interessantes e que provavelmente podem te ajudar também.</p>

<h3 id="o-amigo-tripé">O amigo tripé</h3>

<p>Fotos noturnas normalmente exigem tempos longos de exposição. Embora um tripé seja bastante indicado, eu sei muito bem como tripés são chatos. Eles são grandes e pesados, ocupam espaço e muitas vezes não podem ser levados como bagagem de cabine em viagens de avião. Um tripé grande é indispensável para <a href="/passo-a-passo/como-fazer-fotos-do-ceu-estrelado">fotos de estrelas ou de auroras boreais</a>, mas para outras fotos noturnas eu prefiro usar o tripézinho pequeno de pernas flexíveis que já indiquei em outros momentos, do tipo “gorillapod”:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/tripezinho-em-acao.webp" alt="Duas fotos lado a lado: a primeira mostra uma câmera acoplada em um pequeno tripé de pernas flexíveis, a segunda mostra a paisagem fotografada: um canal com um prédio atrás cheio de janelas." />
    <figcaption>Veneza/Itália. <em>ISO 100, 10mm fisheye, f/8, 30"</em></figcaption>
</figure>

<p>É claro que estes tripés não são tão estáveis quanto um tripé convencional. Use um disparador remoto (a maioria das câmeras atuais possibilita o controle via <em>app</em>) para evitar que o movimento de apertar o botão disparador faça sua foto ficar completamente tremida. Você também podeu usar o temporizador da câmera.</p>

<h3 id="use-o-subsestimado-nivelador-da-sua-câmera">Use o (subsestimado) nivelador da sua câmera</h3>

<p>É muito fácil fazer fotos noturnas tortas, pois temos menos referências. Nessa situação o ideal é usar o nivelador embutido da sua câmera para ter horizontes retos. Procure no seu manual: se sua câmera não possui nivelador, use o nivelador de bolha do tripé.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/nivelador.webp" alt="Ilustração mostrando o nivelador das câmeras, que mostra uma linha horizontal vermelha quando não há nivelamento e uma linha horizontal verde quando há nivelamento." /></p>

<h3 id="choveu-fique-feliz">Choveu? Fique feliz!</h3>

<p>Chuva costuma ser uma péssima notícia para uma saída fotográfica, mas para fotos noturnas ela é bem vinda. Já notou que na maioria das cenas noturnas dos filmes as calçadas estão molhadas? É que a água reflete a luz, logo a chuva nos ajuda a deixar a cena mais bem iluminada e interessante.</p>

<p>Na próxima vez que chover você já sabe: ao invés de se encolher na cama, bota uma capa de chuva e saia pra fotografar!</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/noturna-chuva.webp" alt="Foto em que se vê o mar e parapeitos emoldurando uma construção iluminada, com destaque para a calçada que está molhada e reflete as luzes dos postes." />
    <figcaption>Veneza/Itália. <em>ISO 200, 10mm, f/10, 30"</em></figcaption>
</figure>

<h3 id="aposte-nas-aberturas-bem-fechadinhas">Aposte nas aberturas bem fechadinhas</h3>

<p>Aberturas mais fechadas (como f/22) permitem exposições mais longas e, consequentemente, conseguimos registrar movimentos de forma interessante.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/noturna-longa.webp" alt="Imagem de pouca definição, em que se vê um corpo de água com um barco todo desfocado devido à longa exposição." />
    <figcaption>Veneza/Itália. <em>ISO 800, 25mm, f/22, 30"</em></figcaption>
</figure>

<h3 id="por-fim-as-configurações">Por fim… as configurações</h3>

<p>Sei que uma das grandes dificuldades da fotografia noturna é a parte mais técnica. Embora cada situação seja única (pra variar!), algumas dicas são válidas:</p>

<p><strong>Para focar:</strong> use o liveview (na tela LCD) da câmera e dê zoom para focar manualmente. Normalmente é mais fácil focar em pontos de luz do que em outras áreas. Eu não costumo confiar no foco automático nesses casos.</p>

<p><strong>Para a foto não ficar com muito ruído:</strong> aposte na longa exposição ao invés do ISO alto. Eu, pessoalmente, não acho que o ruído é algo tão do mal assim. Veja nas configurações das fotos acima que às vezes “sacrifiquei” o ISO, às vezes a abertura (usando até 1.4!) e, na maior parte dos exemplos, o tempo de exposição (de até 30 segundos.)</p>

<p><strong>Para a foto não ficar tremida:</strong> o tripé é seu amigo, mas se não tiver um disponível, apoie a câmera em um banco, no chão, no muro, em qualquer lugar. Só não vale achar que vai ser possível segurar a câmera firme por 2 segundos.</p>

<p><strong>Para a foto não ficar escura:</strong> a fotometria de uma cena noturna é diferente da cena diurna. Dificilmente seu fotômetro ficará zerado. Embora, repito, situações diferentes peçam soluções diferentes, lembre-se que a tendência é que o fotômetro fique um ou dois pontos no negativo. Na dúvida, teste e refaça.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[Fotos noturnas podem ser desafiadoras: é difícil focar, é difícil fotometrar e podemos acabar com um borrão que não diz nada. Oslo/Noruega. ISO 100, 10mm, f/2.8, 1/25 Mas não desanime: fotos noturnas podem ser muito divertidas de fazer e depois que a gente pega o jeito, dá vontade de trocar o dia pela noite. Vou contar alguns truques que me ajudaram a conseguir fotos norturnas mais interessantes e que provavelmente podem te ajudar também. O amigo tripé Fotos noturnas normalmente exigem tempos longos de exposição. Embora um tripé seja bastante indicado, eu sei muito bem como tripés são chatos. Eles são grandes e pesados, ocupam espaço e muitas vezes não podem ser levados como bagagem de cabine em viagens de avião. Um tripé grande é indispensável para fotos de estrelas ou de auroras boreais, mas para outras fotos noturnas eu prefiro usar o tripézinho pequeno de pernas flexíveis que já indiquei em outros momentos, do tipo “gorillapod”: Veneza/Itália. ISO 100, 10mm fisheye, f/8, 30" É claro que estes tripés não são tão estáveis quanto um tripé convencional. Use um disparador remoto (a maioria das câmeras atuais possibilita o controle via app) para evitar que o movimento de apertar o botão disparador faça sua foto ficar completamente tremida. Você também podeu usar o temporizador da câmera. Use o (subsestimado) nivelador da sua câmera É muito fácil fazer fotos noturnas tortas, pois temos menos referências. Nessa situação o ideal é usar o nivelador embutido da sua câmera para ter horizontes retos. Procure no seu manual: se sua câmera não possui nivelador, use o nivelador de bolha do tripé. Choveu? Fique feliz! Chuva costuma ser uma péssima notícia para uma saída fotográfica, mas para fotos noturnas ela é bem vinda. Já notou que na maioria das cenas noturnas dos filmes as calçadas estão molhadas? É que a água reflete a luz, logo a chuva nos ajuda a deixar a cena mais bem iluminada e interessante. Na próxima vez que chover você já sabe: ao invés de se encolher na cama, bota uma capa de chuva e saia pra fotografar! Veneza/Itália. ISO 200, 10mm, f/10, 30" Aposte nas aberturas bem fechadinhas Aberturas mais fechadas (como f/22) permitem exposições mais longas e, consequentemente, conseguimos registrar movimentos de forma interessante. Veneza/Itália. ISO 800, 25mm, f/22, 30" Por fim… as configurações Sei que uma das grandes dificuldades da fotografia noturna é a parte mais técnica. Embora cada situação seja única (pra variar!), algumas dicas são válidas: Para focar: use o liveview (na tela LCD) da câmera e dê zoom para focar manualmente. Normalmente é mais fácil focar em pontos de luz do que em outras áreas. Eu não costumo confiar no foco automático nesses casos. Para a foto não ficar com muito ruído: aposte na longa exposição ao invés do ISO alto. Eu, pessoalmente, não acho que o ruído é algo tão do mal assim. Veja nas configurações das fotos acima que às vezes “sacrifiquei” o ISO, às vezes a abertura (usando até 1.4!) e, na maior parte dos exemplos, o tempo de exposição (de até 30 segundos.) Para a foto não ficar tremida: o tripé é seu amigo, mas se não tiver um disponível, apoie a câmera em um banco, no chão, no muro, em qualquer lugar. Só não vale achar que vai ser possível segurar a câmera firme por 2 segundos. Para a foto não ficar escura: a fotometria de uma cena noturna é diferente da cena diurna. Dificilmente seu fotômetro ficará zerado. Embora, repito, situações diferentes peçam soluções diferentes, lembre-se que a tendência é que o fotômetro fique um ou dois pontos no negativo. Na dúvida, teste e refaça.]]></summary></entry><entry><title type="html">Como fotografar no nascer e no pôr do sol</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fotografar-nascer-por-do-sol" rel="alternate" type="text/html" title="Como fotografar no nascer e no pôr do sol" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/504-como-fotografar-nascer-por-do-sol</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fotografar-nascer-por-do-sol"><![CDATA[<p>Toda vez que eu admiro um nascer ou pôr do sol, me pergunto como é possível seguir me impressionando com esse fenômeno. Alguns dias nublados podem nos tirar o prazer de ver o espetáculo de cores desses momentos, mas não é como se eles fossem acontecimentos raros. Ainda assim, suspiro e me admiro.</p>

<p>Podemos concordar que mesmo a melhor das fotos não consegue captar a beleza do sol nascendo ou se pondo? Ainda assim, é possível alcançar um pouquinho da magia com algumas dicas bem pontuais.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/por-do-sol-alter.webp" alt="Fotografia mostrando um rio com o pôr do sol alaranjado ao fundo. Em primeiro plano, uma pessoa rema em um caiaque." />
    <figcaption>Alter do Chão/PA. <em>ISO 500, 10mm, f/3.5, 1/2500</em></figcaption>
</figure>

<h3 id="subexpor-é-o-segredo">Subexpor é o segredo</h3>

<p>O maior segredinho dessas fotos é subexpor um tantinho. Se você estiver usando o <a href="/a-tecnica/fotometria">modo de medição</a> matricial, pode fazer esta subexposição deixando o fotômetro em um número negativo (como -1 ou -2).</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/subexposicao.webp" alt="Ilustração de um fotômetro marcando subexposição em -2" /></p>

<p>Se você está usando o modo de medição pontual, pode apontar para uma parte próxima ao horizonte, um pouco acima da parte mais iluminada e do próprio sol. Se você fotometrar onde está o sol ou na parte mais clara, as chances são grandes de subexpor a foto mais do que o necessário. Se fotometrar na parte mais escura, as changes são grandes de superexpor.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/fotometria-sol.webp" alt="Fotografia com bastante destaque para o céu com nuvens em um entardecer, com o sol próximo do horizonte onde se vê o contorno de montanhas." />
    <figcaption>Rio de Janeiro/RJ. <em>ISO 100, 35mm, f/3.5, 1/500</em></figcaption>
</figure>

<blockquote>
  <p><strong>Dica:</strong> essa mesma dica vale para quando você estiver fotografando com o celular! Os smartphones oferecem a opção de compensar a exposição para mais ou para menos, e você consegue fazer isso tocando na tela, esperando um pouquinho, e depois arrastando para esquerda ou direita. Mesmo aquele registro inesperado do amanhecer feito com o celular vai ficar com mais profundidade de cores e detalhes.</p>
</blockquote>

<p>Nossa câmera não consegue captar exatamente o que nós vemos em uma situação de tanta diferença de luminosidade como é o nascer e o pôr do sol. Nossa opção é nos contentarmos com uma foto que registra somente uma parte do que estamos vendo ou usar alguma técnica para contornar essa limitação: já contei aqui sobre o uso de filtros de densidade neutra e da técnica do cartão preto. No próximo tópico vamos ver uma outra técnica: a fotografia HDR.</p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[Toda vez que eu admiro um nascer ou pôr do sol, me pergunto como é possível seguir me impressionando com esse fenômeno. Alguns dias nublados podem nos tirar o prazer de ver o espetáculo de cores desses momentos, mas não é como se eles fossem acontecimentos raros. Ainda assim, suspiro e me admiro. Podemos concordar que mesmo a melhor das fotos não consegue captar a beleza do sol nascendo ou se pondo? Ainda assim, é possível alcançar um pouquinho da magia com algumas dicas bem pontuais. Alter do Chão/PA. ISO 500, 10mm, f/3.5, 1/2500 Subexpor é o segredo O maior segredinho dessas fotos é subexpor um tantinho. Se você estiver usando o modo de medição matricial, pode fazer esta subexposição deixando o fotômetro em um número negativo (como -1 ou -2). Se você está usando o modo de medição pontual, pode apontar para uma parte próxima ao horizonte, um pouco acima da parte mais iluminada e do próprio sol. Se você fotometrar onde está o sol ou na parte mais clara, as chances são grandes de subexpor a foto mais do que o necessário. Se fotometrar na parte mais escura, as changes são grandes de superexpor. Rio de Janeiro/RJ. ISO 100, 35mm, f/3.5, 1/500 Dica: essa mesma dica vale para quando você estiver fotografando com o celular! Os smartphones oferecem a opção de compensar a exposição para mais ou para menos, e você consegue fazer isso tocando na tela, esperando um pouquinho, e depois arrastando para esquerda ou direita. Mesmo aquele registro inesperado do amanhecer feito com o celular vai ficar com mais profundidade de cores e detalhes. Nossa câmera não consegue captar exatamente o que nós vemos em uma situação de tanta diferença de luminosidade como é o nascer e o pôr do sol. Nossa opção é nos contentarmos com uma foto que registra somente uma parte do que estamos vendo ou usar alguma técnica para contornar essa limitação: já contei aqui sobre o uso de filtros de densidade neutra e da técnica do cartão preto. No próximo tópico vamos ver uma outra técnica: a fotografia HDR.]]></summary></entry><entry><title type="html">Como fazer fotografias HDR</title><link href="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-o-efeito-hdr" rel="alternate" type="text/html" title="Como fazer fotografias HDR" /><published>2024-11-29T00:00:00+00:00</published><updated>2024-11-29T00:00:00+00:00</updated><id>https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/505-como-fazer-o-efeito-hdr</id><content type="html" xml:base="https://dicasdefotografia.com.br/passo-a-passo/como-fazer-o-efeito-hdr"><![CDATA[<p>Teve um período em que a fotografia HDR (<em>High Dinamic Range</em>) estava super na moda. Escrevi a primeira versão deste passo a passo em 2008, quando esta moda estava no ápice, e agora seu uso está um pouco mais contido. Deixando modismos de lado, essa é uma técnica que, quando bem usada, pode resultar em fotos cheias de vidas e detalhes. Se mal utilizada, no entanto, ela pode criar um resultado falso e bastante esquisito.</p>

<p>Aqui vou contar tudo sobre a técnica HDR: desde como tirar as fotos até como editá-las, passando também pelos erros mais comuns.</p>

<p>Vamos lá?</p>

<h2 id="o-que-é-hdr">O que é HDR?</h2>

<p>O que chamamos popularmente de HDR é uma técnica que faz fotos terem o máximo de detalhes mesmo quando a cena fotografada tem muito contraste. Usando esta técnica conseguimos mostrar os detalhes nas áreas bem sombreadas e bem iluminadas, ao mesmo tempo.</p>

<p>O acrônimo vem de <em>High Dynamic Range</em> ou “alto alcance dinâmico”.</p>

<blockquote>
  <p><strong>Alcance dinâmico</strong> é a razão entre o maior e o menor valor mensurável de uma grandeza. É um conceito normalmente usado para analisar a captação de sinais sonoros ou luminosos. <em>(<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Dynamic_range">Adaptado da Wikipedia</a>).</em></p>
</blockquote>

<p>O alcance dinâmico da nossa visão é muito impressionante. Em uma situação em que existem diferenças bem grandes de iluminação nós conseguimos perceber os detalhes tanto das áreas mais iluminadas quanto das áreas de sombra. Você já deve ter notado, ao tentar fotografar o nascer ou pôr do sol, que a câmera não consegue captar os detalhes que você consegue ver com tanta facilidade.</p>

<p>Na situação abaixo, por exemplo, eu conseguia ver todos os detalhes das montanhas e das pessoas correndo. Mas, para conseguir registrar em foto os detalhes e cores do céu, tudo que estava em primeiro plano acabou virando uma silhueta:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/nascer-do-sol-ubatuba.webp" alt="Imagem de um céu alaranjado ao nascer do sol, com a silhueta de montanhas e duas pessoas correndo." />
    <figcaption>Ubatuba/SP. <em>ISO 100, 21mm, f/7.1, 1/500</em></figcaption>
</figure>

<p>O alcance dinâmico da câmera depende do formato de gravação do arquivo (os arquivos RAW tem vantagem aí) e também da qualidade do sensor. Porém, mesmo fotografando em RAW ou com uma câmera fantástica, há momentos em que somente usando a técnica de HDR é possível captar cenas com intensidades de luz muito diferentes.</p>

<h2 id="como-funciona">Como funciona?</h2>

<p>É simples: primeiro capturamos várias fotos usando diferentes exposições. Em seguida, usamos um aplicativo específico para juntar as imagens em uma só e chegar em um resultado final mais parecido com o que conseguimos captar com a nossa visão.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/hdr-resumo.webp" alt="Imagem mostrando três fotos com diferentes exposições sendo somadas, e após o sinal de igualdade, o resultado de uma foto com mais detalhes." /></p>

<h2 id="quando-fazer-uma-foto-hdr">Quando fazer uma foto HDR</h2>

<p>Primeiro, vamos falar sobre quando NÃO usar essa técnica? Não faz sentido fazer uma HDR quando temos uma cena com pouca variação de sombra e luz e, ao usar uma exposição normal (no “zero”), chegamos em um resultado com detalhes. É só checar o histograma da foto abaixo, por exemplo, e vemos que não perdemos detalhes nem nas sombras nem nas luzes.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/exemplo-naoprecisa-de-hdr.webp" alt="Foto de bonecas artesanais com o histograma logo abaixo demonstrando que não se perderam detalhes nem nas áreas de sombra nem nas áreas iluminadas." /></p>

<p>Ao verificar o histograma das fotos abaixo, pelo contrário, dá para perceber que perdemos detalhes nas áreas de sombra ou de luzes. Esse é um indicativo de que podemos recuperar esses detalhes fazendo uma foto HDR.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/hdr-histograma-aracaju.webp" alt="Duas fotos da mesma paisagem com diferentes exposições e seus respectivos histogramas demonstrando que foram perdidos detalhes nas sombras ou nas áreas de alta luz." /></p>

<blockquote>
  <p><a href="/nerdices/como-interpretar-um-histograma">Clique aqui</a> para aprender a interpretar um histograma.</p>
</blockquote>

<h2 id="o-que-não-fazer">O que não fazer</h2>

<p>Toda técnica que fica na moda por um tempo acaba caindo em sobreuso. Assim como outras modinhas (como o uso de vinhetas ou cores seletivas), encontramos muitas fotos em HDR mal feitas, mal trabalhadas ou simplesmente exageradas.</p>

<p>Aliás, <strong>o maior pecado na fotografia HDR é o exagero</strong>. Embora seja tentador utilizar valores máximos buscando um efeito incrível, precisamos nos segurar para não criar uma imagem esquisita.</p>

<p>Existem alguns equívocos comuns que podemos evitar para chegar em um resultado bacana. Vou colocar alguns exemplos que considero equívocos aqui e que estão sob a licença Creative Commons no Flickr, com a indicação de autoria de cada imagem, mas peço que olhe com generosidade essa etapa de julgar o trabalho alheio, ok?</p>

<p>Como já adiantei, o maior pecado é <strong>exagerar no efeito</strong>. Lembra que a HDR lida com situações de muito contraste? Um dos resultados de usar configurações muito extremas ao montar uma HDR é chegar em uma foto quase sem contraste, o que nem sempre é esteticamente interessante:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/equivocos-01.webp" alt="Imagem de canal, ponte e prédio com pouco contraste." />
    <figcaption>Foto por Eros_74. <a href="https://www.flickr.com/photos/orion74/5655418080/" target="_blank">[*]</a></figcaption>
</figure>

<p>Outra consequência do exagero é a aparição de um <em>halo</em>. O <em>halo</em> é essa “mancha” que fica nas bordas bem onde existe o contraste entre luz e sombra. Na foto abaixo você pode ver a diferença de luminosidade do céu quando ele “encontra” a vegetação e as construções.</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/equivocos-02.webp" alt="Imagem de uma ponte e árvores, com uma mancha mais clara nas proximidades das árvores." />
    <figcaption>Foto por Roman. <a href="https://www.flickr.com/photos/panzer3fan/282002611/" target="_blank">[*]</a></figcaption>
</figure>

<p>Se você não usar um tripé ou simplesmente descuidar na edição, o resultado pode ficar cheio de aberrações cromáticas. Na foto abaixo esse contorno vermelho em torno da ponte é um bom exemplo de aberração cromática:</p>

<figure>
    <img src="../assets/imgs/05/equivocos-03.webp" alt="Foto de uma ponte com destaque para o rio e manchas avermelhadas nas bordas das mudanças de iluminação." />
    <figcaption>Foto por Aaron Dore. <a href="http://www.flickr.com/photos/dore/1795285095/" target="_blank">[*]</a></figcaption>
</figure>

<p>Todos esses equívocos nascem de mais atenção para a técnica do que para a imagem que estamos criando. O ideal é que a foto tenha suas características evidenciadas pela técnica HDR, e não o contrário!</p>

<p>Tomados esses devidos cuidados, bora aprender o passo a passo para criar uma imagem em HDR?</p>

<h2 id="passo-a-passo">Passo a passo</h2>

<h3 id="parte-1-registrar-as-fotos">Parte 1: registrar as fotos</h3>

<p>A primeira parte é, obviamente, tirarmos as fotos. Você pode fazer uma HDR com 2, 3, 4, 9 fotos… Escolha a quantidade que for necessária para registrar todos os detalhes nas sombras e nas luzes.</p>

<p>Você vai precisar de:</p>

<ul>
  <li>Câmera que possua modo manual</li>
  <li>Tripé</li>
  <li>Uma paisagem / assunto que não se mova</li>
</ul>

<p>O essencial desta lista é a <strong>câmera com modo manual</strong>. Isso porque vamos precisar fazer duas fotos “erradas” (uma muito clara e outra muito escura). Câmeras 100% automáticas normalmente não nos deixam fazer isso.</p>

<p>Coloque sua câmera no tripé e faça a fotometria normalmente. Faça a primeira foto, com a fotometria correta, e em seguida faça as outras mudando o tempo de exposição entre elas para conseguir imagens subexpostas e superexpostas.</p>

<blockquote>
  <p><strong>Dica:</strong> nunca mude a abertura pois isso fará com que a profundidade de campo mude também, complicando na hora de juntar as fotos. Então para fazer as outras duas exposições mude somente o <strong>tempo de exposição</strong>.</p>
</blockquote>

<p><img src="../assets/imgs/05/hdr-tresfotos.webp" alt="Três fotos da paisagem cujo histograma analisamos anteriormente: uma com exposição mediana, uma subexposta e outra superexposta." /></p>

<p>Procure no manual da sua câmera se ela possui a função “AEB” (<em>auto exposure bracketing</em>). Quando você usa essa opção é só pressionar o botão disparador e a câmera vai tirar imediatamente duas fotos a mais, além da exposição correta: uma subexposta e uma superexposta. Isso é uma mão na roda! Em alguns modelos é preciso ativar também o temporizador para que a câmera faça as três fotos sequenciamente. Repito: leia o manual da sua câmera para verificar o funcionamento da função.</p>

<p>hdr-aeb</p>

<p>Resumindo esta primeira etapa:</p>

<ul>
  <li>Colocar a câmera em um tripé</li>
  <li>Selecionar a função AEB com intervalo de 2 pontos de exposição</li>
  <li>Fazer a fotometria normalmente (deixando a setinha do meio no zero)</li>
  <li>Ativo o temporizador de 2 segundos</li>
  <li>Aperto o botão disparador e depois de 2 segundos a câmera tira automaticamente 3 fotos com exposições diferentes da mesma cena</li>
</ul>

<p>Se puder, fotografe em RAW e sua foto vai ficar com ainda mais qualidade. Ah, e é importante tirar várias fotos. Folhas se mexem, nuvens se mexem, pessoas entram na cena sem querer… Muita coisa pode acontecer, então tome o cuidado de tirar várias séries de fotos. Depois é só escolher as melhores.</p>

<h3 id="parte-2-criar-a-hdr">Parte 2: criar a HDR</h3>

<p>Para juntar as fotos que tiramos da nossa cena vamos utilizar um aplicativo dedicado, chamado <a href="https://www.hdrsoft.com/download/photomatix-pro.html">Photomatix</a>. Não conheço alternativas gratuitas que façam a junção de fotos para criar uma HDR de forma simplificada, mas o Photomatix possui uma opção de teste gratuita que coloca uma marca d’água na imagem final. O Photoshop, aplicativo de edição de imagens bem difundido, também oferece a opção de HDR: é só abrir o programa e ir no menu File &gt; Automate &gt; Merge to HDR. A partir daí as opções de configuração ficarão parecidas com o que vou mostrar abaixo.</p>

<h4 id="hdr-usando-o-photomatix">HDR usando o Photomatix</h4>

<p>Ao abrir o programa ele oferece alguns modos pré-definidos: Landscape (fotos de paisagens), Real Estate (foto de interiores) e Photogrammetry (uso científico de análise de dados de imagens). Escolha a opção que se adequa à sua imagem.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-01.webp" alt="Captura de tela do menu no Photomatix" /></p>

<p>A seguir, clique em <strong>Browse &amp; Load</strong> para encontrar suas fotos nas pastas do computador ou arraste todas elas para a tela do programa.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-02.webp" alt="Captura de tela do menu no Photomatix" /></p>

<p>Após a seleção, as imagens serão mostradas e você pode revisar se quer usar todas elas. Se estiver tudo ok, clique em  <strong>Next: Choose merge options</strong>.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-03.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p>Agora ele vai mostrar as opções de alinhamento e correção. Essa parte é importante para sua foto não ficar com aberrações:</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-04.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p><strong>Align Source Images:</strong> Selecionando essa opção você pede para o programa alinhar as suas fotos. Se você usou um tripé e o modo AEB dificilmente vai precisar habilitar essa opção pois as fotos estarão impecavelmente alinhadas. Você pode clicar em <strong>Aligment settings</strong> para opções avançadas:</p>

<ul>
  <li>Se você não utilizou AEB prefira selecionar a opção <strong>By correcting horizontal and vertical shifts</strong>, pois ao mexer nas configurações da câmera ela pode ter desviado um pouco.</li>
  <li>Já se tirou as fotos com a câmera sem tripé o ideal é selecionar a opção <strong>By matching features</strong> já que a possibilidade das fotos terem ficado um pouco diferentes entre si é maior.</li>
</ul>

<p>Outras opções podem ser selecionadas:</p>

<p><strong>Show options to remove ghosts:</strong> Essa opção é para quando houver qualquer coisa que possa ter se mexido na cena entre uma exposição e outra.
<strong>Reduce chromatic aberrations:</strong> Essa opção ajuda a remover aberrações cromáticas que vêm de pequenas diferenças entre as fotos. O processo demora bem mais quando selecionada, então se as fotos estão bem alinhadas não é preciso selecionar.</p>

<p>Ao clicar em <strong>Align &amp; Merge to HDR</strong> o programa vai começar a criar sua HDR.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-05.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p>Agora vamos configurar a nossa HDR para transformá-la em uma foto com a aparência desejada. Isso é feito no painel da esquerda, de forma detalhada:</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-06.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p>Você também pode escolher algumas configurações pré-definidas no painel da direita.</p>

<p>A melhor forma de entender as diversas opções é bisbilhotando os botões e seletores. A princípio podemos criar uma edição legal usando as opções pré-definidas da direita e ir mudando as configurações mais detalhadas para ver o que cada uma faz.</p>

<p>Após chegar em um resultado que te deixa feliz, clique em <strong>Next: Finish</strong> e o programa vai finalizar o processamento da imagem:</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-07.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p>O Photomatix ainda oferece algumas opções de edição final: contrast (contraste), sharpen (reforçar nitidez), crop (cortar) e straighten (alinhar). Faça os ajustes finais e clique em <strong>Done</strong>.</p>

<p><img src="../assets/imgs/05/photomatix-08.webp" alt="Captura de tela do Photomatix" /></p>

<p>Prontinho! Temos nossa HDR! Viu como não foi tão difícil? Agora é só salvar o arquivo.</p>

<p><img src="../assets/hero/hdr-hires.webp" alt="Foto final" /></p>]]></content><author><name>Claudia Regina</name></author><category term="Passo a passo" /><summary type="html"><![CDATA[Teve um período em que a fotografia HDR (High Dinamic Range) estava super na moda. Escrevi a primeira versão deste passo a passo em 2008, quando esta moda estava no ápice, e agora seu uso está um pouco mais contido. Deixando modismos de lado, essa é uma técnica que, quando bem usada, pode resultar em fotos cheias de vidas e detalhes. Se mal utilizada, no entanto, ela pode criar um resultado falso e bastante esquisito. Aqui vou contar tudo sobre a técnica HDR: desde como tirar as fotos até como editá-las, passando também pelos erros mais comuns. Vamos lá? O que é HDR? O que chamamos popularmente de HDR é uma técnica que faz fotos terem o máximo de detalhes mesmo quando a cena fotografada tem muito contraste. Usando esta técnica conseguimos mostrar os detalhes nas áreas bem sombreadas e bem iluminadas, ao mesmo tempo. O acrônimo vem de High Dynamic Range ou “alto alcance dinâmico”. Alcance dinâmico é a razão entre o maior e o menor valor mensurável de uma grandeza. É um conceito normalmente usado para analisar a captação de sinais sonoros ou luminosos. (Adaptado da Wikipedia). O alcance dinâmico da nossa visão é muito impressionante. Em uma situação em que existem diferenças bem grandes de iluminação nós conseguimos perceber os detalhes tanto das áreas mais iluminadas quanto das áreas de sombra. Você já deve ter notado, ao tentar fotografar o nascer ou pôr do sol, que a câmera não consegue captar os detalhes que você consegue ver com tanta facilidade. Na situação abaixo, por exemplo, eu conseguia ver todos os detalhes das montanhas e das pessoas correndo. Mas, para conseguir registrar em foto os detalhes e cores do céu, tudo que estava em primeiro plano acabou virando uma silhueta: Ubatuba/SP. ISO 100, 21mm, f/7.1, 1/500 O alcance dinâmico da câmera depende do formato de gravação do arquivo (os arquivos RAW tem vantagem aí) e também da qualidade do sensor. Porém, mesmo fotografando em RAW ou com uma câmera fantástica, há momentos em que somente usando a técnica de HDR é possível captar cenas com intensidades de luz muito diferentes. Como funciona? É simples: primeiro capturamos várias fotos usando diferentes exposições. Em seguida, usamos um aplicativo específico para juntar as imagens em uma só e chegar em um resultado final mais parecido com o que conseguimos captar com a nossa visão. Quando fazer uma foto HDR Primeiro, vamos falar sobre quando NÃO usar essa técnica? Não faz sentido fazer uma HDR quando temos uma cena com pouca variação de sombra e luz e, ao usar uma exposição normal (no “zero”), chegamos em um resultado com detalhes. É só checar o histograma da foto abaixo, por exemplo, e vemos que não perdemos detalhes nem nas sombras nem nas luzes. Ao verificar o histograma das fotos abaixo, pelo contrário, dá para perceber que perdemos detalhes nas áreas de sombra ou de luzes. Esse é um indicativo de que podemos recuperar esses detalhes fazendo uma foto HDR. Clique aqui para aprender a interpretar um histograma. O que não fazer Toda técnica que fica na moda por um tempo acaba caindo em sobreuso. Assim como outras modinhas (como o uso de vinhetas ou cores seletivas), encontramos muitas fotos em HDR mal feitas, mal trabalhadas ou simplesmente exageradas. Aliás, o maior pecado na fotografia HDR é o exagero. Embora seja tentador utilizar valores máximos buscando um efeito incrível, precisamos nos segurar para não criar uma imagem esquisita. Existem alguns equívocos comuns que podemos evitar para chegar em um resultado bacana. Vou colocar alguns exemplos que considero equívocos aqui e que estão sob a licença Creative Commons no Flickr, com a indicação de autoria de cada imagem, mas peço que olhe com generosidade essa etapa de julgar o trabalho alheio, ok? Como já adiantei, o maior pecado é exagerar no efeito. Lembra que a HDR lida com situações de muito contraste? Um dos resultados de usar configurações muito extremas ao montar uma HDR é chegar em uma foto quase sem contraste, o que nem sempre é esteticamente interessante: Foto por Eros_74. [*] Outra consequência do exagero é a aparição de um halo. O halo é essa “mancha” que fica nas bordas bem onde existe o contraste entre luz e sombra. Na foto abaixo você pode ver a diferença de luminosidade do céu quando ele “encontra” a vegetação e as construções. Foto por Roman. [*] Se você não usar um tripé ou simplesmente descuidar na edição, o resultado pode ficar cheio de aberrações cromáticas. Na foto abaixo esse contorno vermelho em torno da ponte é um bom exemplo de aberração cromática: Foto por Aaron Dore. [*] Todos esses equívocos nascem de mais atenção para a técnica do que para a imagem que estamos criando. O ideal é que a foto tenha suas características evidenciadas pela técnica HDR, e não o contrário! Tomados esses devidos cuidados, bora aprender o passo a passo para criar uma imagem em HDR? Passo a passo Parte 1: registrar as fotos A primeira parte é, obviamente, tirarmos as fotos. Você pode fazer uma HDR com 2, 3, 4, 9 fotos… Escolha a quantidade que for necessária para registrar todos os detalhes nas sombras e nas luzes. Você vai precisar de: Câmera que possua modo manual Tripé Uma paisagem / assunto que não se mova O essencial desta lista é a câmera com modo manual. Isso porque vamos precisar fazer duas fotos “erradas” (uma muito clara e outra muito escura). Câmeras 100% automáticas normalmente não nos deixam fazer isso. Coloque sua câmera no tripé e faça a fotometria normalmente. Faça a primeira foto, com a fotometria correta, e em seguida faça as outras mudando o tempo de exposição entre elas para conseguir imagens subexpostas e superexpostas. Dica: nunca mude a abertura pois isso fará com que a profundidade de campo mude também, complicando na hora de juntar as fotos. Então para fazer as outras duas exposições mude somente o tempo de exposição. Procure no manual da sua câmera se ela possui a função “AEB” (auto exposure bracketing). Quando você usa essa opção é só pressionar o botão disparador e a câmera vai tirar imediatamente duas fotos a mais, além da exposição correta: uma subexposta e uma superexposta. Isso é uma mão na roda! Em alguns modelos é preciso ativar também o temporizador para que a câmera faça as três fotos sequenciamente. Repito: leia o manual da sua câmera para verificar o funcionamento da função. hdr-aeb Resumindo esta primeira etapa: Colocar a câmera em um tripé Selecionar a função AEB com intervalo de 2 pontos de exposição Fazer a fotometria normalmente (deixando a setinha do meio no zero) Ativo o temporizador de 2 segundos Aperto o botão disparador e depois de 2 segundos a câmera tira automaticamente 3 fotos com exposições diferentes da mesma cena Se puder, fotografe em RAW e sua foto vai ficar com ainda mais qualidade. Ah, e é importante tirar várias fotos. Folhas se mexem, nuvens se mexem, pessoas entram na cena sem querer… Muita coisa pode acontecer, então tome o cuidado de tirar várias séries de fotos. Depois é só escolher as melhores. Parte 2: criar a HDR Para juntar as fotos que tiramos da nossa cena vamos utilizar um aplicativo dedicado, chamado Photomatix. Não conheço alternativas gratuitas que façam a junção de fotos para criar uma HDR de forma simplificada, mas o Photomatix possui uma opção de teste gratuita que coloca uma marca d’água na imagem final. O Photoshop, aplicativo de edição de imagens bem difundido, também oferece a opção de HDR: é só abrir o programa e ir no menu File &gt; Automate &gt; Merge to HDR. A partir daí as opções de configuração ficarão parecidas com o que vou mostrar abaixo. HDR usando o Photomatix Ao abrir o programa ele oferece alguns modos pré-definidos: Landscape (fotos de paisagens), Real Estate (foto de interiores) e Photogrammetry (uso científico de análise de dados de imagens). Escolha a opção que se adequa à sua imagem. A seguir, clique em Browse &amp; Load para encontrar suas fotos nas pastas do computador ou arraste todas elas para a tela do programa. Após a seleção, as imagens serão mostradas e você pode revisar se quer usar todas elas. Se estiver tudo ok, clique em Next: Choose merge options. Agora ele vai mostrar as opções de alinhamento e correção. Essa parte é importante para sua foto não ficar com aberrações: Align Source Images: Selecionando essa opção você pede para o programa alinhar as suas fotos. Se você usou um tripé e o modo AEB dificilmente vai precisar habilitar essa opção pois as fotos estarão impecavelmente alinhadas. Você pode clicar em Aligment settings para opções avançadas: Se você não utilizou AEB prefira selecionar a opção By correcting horizontal and vertical shifts, pois ao mexer nas configurações da câmera ela pode ter desviado um pouco. Já se tirou as fotos com a câmera sem tripé o ideal é selecionar a opção By matching features já que a possibilidade das fotos terem ficado um pouco diferentes entre si é maior. Outras opções podem ser selecionadas: Show options to remove ghosts: Essa opção é para quando houver qualquer coisa que possa ter se mexido na cena entre uma exposição e outra. Reduce chromatic aberrations: Essa opção ajuda a remover aberrações cromáticas que vêm de pequenas diferenças entre as fotos. O processo demora bem mais quando selecionada, então se as fotos estão bem alinhadas não é preciso selecionar. Ao clicar em Align &amp; Merge to HDR o programa vai começar a criar sua HDR. Agora vamos configurar a nossa HDR para transformá-la em uma foto com a aparência desejada. Isso é feito no painel da esquerda, de forma detalhada: Você também pode escolher algumas configurações pré-definidas no painel da direita. A melhor forma de entender as diversas opções é bisbilhotando os botões e seletores. A princípio podemos criar uma edição legal usando as opções pré-definidas da direita e ir mudando as configurações mais detalhadas para ver o que cada uma faz. Após chegar em um resultado que te deixa feliz, clique em Next: Finish e o programa vai finalizar o processamento da imagem: O Photomatix ainda oferece algumas opções de edição final: contrast (contraste), sharpen (reforçar nitidez), crop (cortar) e straighten (alinhar). Faça os ajustes finais e clique em Done. Prontinho! Temos nossa HDR! Viu como não foi tão difícil? Agora é só salvar o arquivo.]]></summary></entry></feed>