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Como fotografar a Aurora Boreal

Quem me acompanha no meu Facebook deve ter visto que nas últimas duas semanas eu estive fazendo uma das viagens mais incríveis que já fiz (e provavelmente vou fazer) em toda a minha vida:  a caça à Aurora Boreal! Estive na Noruega e na Islândia especialmente para tentar encontrar este fenômeno, além de conhecer as paisagens maravilhosas desses dois países.


Aurora Boreal sobre o Lago Jökulsárlón, Islândia | ISO 1000 | 13mm | f/4.0 | 20s

Mas um fotógrafo não se contenta em só ver a Aurora. A gente que fotografar a Aurora :-D

E a bichinha não é fácil de fotografar. Por isso separei algumas dicas que aprendi depois de pesquisar muito sobre o assunto, de participar de um Workshop em Tromsø e, claro, na prática!

Onde ver

A Aurora Polar acontece nos pólos do Planeta, por causa da interação de partículas emitidas pelo Sol com a alta atmosfera. Por isso, para vê-la, você precisa viajar para regiões mais próximas do círculo polar. A logística mais fácil é partir para o norte (pois o pólo sul não tem hotéis quentinhos e aeroportos rs.) A cidade de Tromsø, minha primeira parada, é conhecida como uma das melhores locações para encontrar a Aurora, justamente por juntar uma localização privilegiada e estrutura adequada para os turistas. A Islândia também tem estrutura e condições ótimas de luminosidade (ou falta dela), mas está um pouco mais ao sul, portanto as chances de vê-la lá são um pouco menores.

Aurora Boreal sobre a geleira Vatnajökull, Islândia | ISO 1000 | 10mm | f/4.0 | 30s

Existem vários outros lugares aonde é possível “caçar” a Aurora, mas esses foram os que eu visitei :-) Sugiro fazer um tour com guia experiente um dia e depois alugar um carro e ir à caça você mesmo! Sempre com a previsão do tempo na mão e com muita paciência para esperar no frio. A Aurora não foi feita pelo ser humano, portanto não tem hora marcada. Você estará 100% à mercê das vontades da natureza.

Escuridão

Embora as explosões ocorram o tempo todo no Sol, a Aurora é como qualquer outro “fenômeno” da astronomia e precisa de dois itens essenciais para ser vista: Céu limpo e muita escuridão. Por isso o inverno do hemisfério norte é a melhor época para conseguir vê-la (no verão eles têm dias de claridade contínua!)

Já percebeu que é quase impossível ver as estrelas no meio de São Paulo? É por causa da Poluição Luminosa. Com tantas luzes é impossível ver o céu de fato, nos sobrando somente as estrelas mais fortes. Nesse tipo de situação não é possível ver a Aurora.

Inclusive essa era uma das minhas impressões que tive que mudar: achei que os noruegueses simplesmente dirigiam indo jantar e de repente, PUF, uma Aurora aparecia na sua frente. Não é bem assim! O próprio farol do carro já atrapalha a visão das luzes.


Aurora Boreal sobre a região de Tromsø, Noruega | ISO 500 | 10mm | f/3.5 | 30s

Mas existe um porém nessa questão de luminosidade: nas fotos da Islândia eu tive muito mais estrelas, mas menos paisagens (como estávamos no comecinho da lua crescente tinha pouquíssima luz mesmo.) Lá ver a Aurora foi espetacular! Mas para fotos, um pouquinho de luz pode ajudar a iluminar a paisagem, resultando em composições com mais elementos. Então tudo depende mesmo do seu objetivo com a foto. Eu amei todos os resultados (modéstia à parte rs), mas cada um tem seu charme :-)

A foto abaixo, por exemplo, foi feita na região de Tromsø, e dá pra ver que o céu está mais claro e com um pouco de alaranjado das luzes dos vilarejos:


Aurora Boreal sobre a região de Tromsø, Noruega | ISO 1600 | 10mm | f/4.5 | 20s

Resumindo, para ver (e fotografar) a Aurora você precisa:

1. Estar no local certo (de preferência no círculo polar ártico)…

2. Com o tempo certo (se o tempo estiver nublado, esqueça!)…

3. E em um local remoto que não tenha muita claridade das cidades.

Equipamentos necessários

Vocês sabem que eu sou adepta do lema “a câmera não faz a foto” – mas neste caso alguns equipamentos são realmente necessários. Fotografar a Aurora com o celular ou com uma Point’n'Shoot é quase impossível.

Tripé

Já tentou fotografar em escuridão total? Mesmo com a Aurora o céu ainda fica muito escuro para as nossas câmeras. Exposições longas são regra, e pelo menos uns 20 segundos você vai precisar usar. E segurar a câmera parada por 20 segundos todo mundo sabe que é impossível, né? Por isso o primeiro equipamento essencial é o Tripé.

Não é preciso o tripé mais moderno do pedaço, no entanto. Desde que ele seja bem estável, te dê controle fácil sobre a posição da câmera e seja alto o suficiente para não te dar um torcicolo, será o suficiente. E é bom que ele seja leve, pois você ficará indo pra lá e pra cá com ele nas costas!

Lente grande angular

A Aurora é grandiosa! Não dá pra fotografar só um pedacinho dela pois isso vai resultar em uma foto bonita, mas relativamente abstrata. Lembre-se que mesmo estando fotografando a Aurora você ainda precisa pensar em composição :-) Por isso o ideal é usar uma lente Grande Angular, que permita incluir outros elementos (como a paisagem) no quadro.

Câmera com longa exposição

Sua câmera precisa permitir exposições bem longas, que podem chegar a 30 segundos.

Disparador Remoto

Ele não é essencial, mas é uma mão na roda. Com ele você pode disparar a foto sem precisar mexer na câmera e alguns permitem ajustar a exposição para mais dos 30 segundos que a maioria das câmeras permitem.

Se você não tem um disparador remoto não precisa se preocupar: coloque o Timer da câmera para 2 segundos, e aí você terá certeza que a foto não sairá tremida por causa da sua intervenção!

Equipamentos para se aquecer

Está vendo Aurora? Então você está em um lugar frio. Por isso não esqueça de boas luvas, botas e roupas adequadas (compre elas no país de destino, pois aqui no Brasil elas são raras e caras.) Além disso existe uma coisinha milagrosa chamada Hand Warmers, que são pacotinhos químicos que se aquecem com o contato com o ar e você deixa dentro do seu bolso (ou do sapato, ou da roupa) – quem inventou isso merece um prêmio, pois são incríveis para não passar frio nas extremidades :-) Eu ficava sem luva (pra conseguir mexer nas configurações da câmera), só segurando os benditos dentro dos bolsos a cada clique! Um milagre em temperaturas negativas.

Baterias!

Longas exposições acabam com a bateria, por isso é bom ter pelo menos uma extra para não correr o risco de perder a foto depois de uma longa noite de espera.

Configurações

Abertura:

Deixe a abertura no máximo que a sua lente permite. Aí você me diz: “Mas eu quero uma profundidade de campo grande!” Não. Você não quer. Você quer o máximo de luz que conseguir captar, e somente com a abertura máxima você vai conseguir isso. Quando mais clara sua lente, melhor.

Você só consegue ver a Aurora na vida real brilhante como você vê nas fotos porque nosso olho é muito mais sensível que a nossa câmera. E as fotos só ficam assim porque elas usaram as configurações mais extremas da câmera!

ISO e Tempo de Exposição (velocidade):

Você vai precisar equilibrar esses dois de acordo com o seu equipamento e com o seu objetivo. Um ISO mais alto com um tempo mais curto (e quando eu digo curto, quero dizer 15 segundos) vai resultar em uma foto com mais ruído, mas com uma Aurora mais definida. Um ISO mais baixo com um tempo mais longo (30 segundos, por exemplo) vai resultar em uma foto com menos ruído, mas com uma Aurora mais “borrada”.

Eu sugiro usar o ISO mais alto que a sua câmera permitir com um ruído aceitável, e adequar o Tempo de Exposição de acordo com as condições (luz da lua, das luzes dos vilarejos, da própria força da Aurora) para conseguir Auroras mais definidas, e o contrário (ISO mais baixo e Tempo mais longo) para mostrar o movimento das Luzes.

Foco:

O foco é o mais difícil de conseguir fazer. O objetivo é deixar o foco no Infinito.

Lá na região de Tromsø eu fui para lugares aonde ainda dava para ver algumas luzinhas de vilarejos distantes e, neste caso, eu fazia o foco manualmente nessas luzinhas usando o Live View, que seria o equivalente ao infinito.

Já na Islândia, fotografei a Aurora em locais totalmente desérticos, aonde não tinha NADA para usar como base. Neste caso eu coloquei na marcação de infinito da minha lente (que já sei ser confiável.) Se a marcação de Infinito da sua lente não for confiável (faça testes antes) tente fazer um foco durante o dia em algo bem longe e faça uma nova marcação.

Se a sua lente não possui marcação de Foco você precisará fazer o foco antes de sair pra caçar a Aurora (e grudar com uma fita para as suas mãos gigantescas com luvas não rodarem o anel de foco sem querer) ou focar na Lua (caso ela esteja presente.)

Algumas outras dicas pontuais:

  • Não use filtros enquanto fotografa a Aurora, filtros (como o UV) irão criar interferências impossíveis de arrumar depois.
  • Ao analisar as fotos na sua tela LCD, ative o Histograma. Vai estar SUPER escuro e as fotos parecerão bem mais claras do que elas realmente são! Por isso confie no Histograma, e não na tela. Se sua câmera tem essa opção, coloque o brilho da tela LCD no mínimo possível.
  • Se possível fotografe em RAW, para conseguir reduzir o ruído e editar a foto com mais controle depois.
  • Se a sua câmera possui um nivelador, use-o (vai sem difícil/impossível ver o nivelador de bolha do tripé no escuro.)

E por fim, aproveite!

Como eu já disse aqui uma vez, nem todas as suas fotos precisam ser “National Geographic Material”. Deixe a câmera de lado de vez em quando e viva o momento. Acredite: NENHUMA foto até hoje chegou aos pés do que é presenciar uma Aurora Boreal (e acredite, eu vi muitas fotos!) Viva o momento! O frio, enquanto as luzes dançam sobre a sua cabeça, parece ir embora :-)


Aurora Boreal sobre a cidade de Tromsø, Noruega | ISO 1000 | 10mm | f/11 | 30s

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Gostou? Você pode ir ver a Aurora Boreal comigo:

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Publicado por
Claudia Regina

http://www.facebook.com/claudiaregina


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